ADVOGADO EDUARDO MAHON: Fim do primeiro turno. Procurador Mauro teve 25% dos votos. É muito. Muito acima de qualquer previsão inicial. Os dois candidatos que se habilitaram para o 2o turno se fazem uma pergunta: quem são e para onde vão essa enorme quantidade de votos? Essa é a grande questão e, claro, a mais difícil

Procurador Mauro, liderança do PSOL

Procurador Mauro, liderança do PSOL

Quo vadis, eleitor?
por EDUARDO MAHON

Fim do primeiro turno. Procurador Mauro teve 25% dos votos. É muito. Muito acima de qualquer previsão inicial. Os dois candidatos que se habilitaram para o 2o turno se fazem uma pergunta: quem são e para onde vão essa enorme quantidade de votos? Essa é a grande questão e, claro, a mais difícil. O voto no Procurador Mauro foi um misto de protesto e de esperança. Protesto contra a política, ou melhor, contra os políticos tradicionais. Quem votou nele não queria nem Emanuel Pinheiro, nem Wilson Santos, ambos experientes, ambos deputados estaduais, ambos já eleitos e reeleitos por diversas vezes. O protesto é cansaço. Um quarto dos cuiabanos estão absolutamente esgotados com os escândalos com a Câmara dos Vereadores, com os crimes de superfaturamentos, com as imposturas dos demais candidatos. Mas houve também quem votou sem o sentimento de mágoa. Ao contrário: esperavam um impacto positivo, uma nova forma de administrar. Essa esperança também compõe o voto do Procurador Mauro e deve ser levada em consideração.
Penso que o perfil do eleitor do Procurador Mauro é relativamente jovem e atinge todas as classes sociais. É impossível fazer 25%, extraindo voto somente de um segmento social cuiabano. Votou rico, votou pobre, votou servidor público, votou profissional liberal, gente semianalfabeta e gente com doutorado. O eleitor do Procurador Mauro não é de esquerda, nem de direita. Não pensa de forma ideológica e programática como os tradicionais eleitores do Partido dos Trabalhadores ou com a pauta liberal dos Democratas. É um público tão numeroso quanto heterogêneo. Encontram-se, no entanto, na juventude. Tanto o protesto quanto a esperança partiram da população mais jovem, ativa e combativa politicamente. Pretendiam mudar tanto as práticas políticas tradicionais, quanto os nomes que figuravam nas urnas. Sucumbiram, claro, pelo restante dos 75% dos votos válidos que se cedeu à razão por saber que o prefeito só consegue administrar com uma base mínima de apoio municipal, estadual e, até mesmo, federal.
O que queria o eleitor do Procurador Mauro? Sem dúvida alguma, os 25% da população quer participar de forma direta, sem os intermediários que não cumprem o papel de representar segmentos sociais. Os vereadores precisam recuperar urgentemente a própria representatividade para dialogar de forma mais próxima. Esse foi um recado claro. De qualquer forma, quem votou no Procurador não pretendia uma creche a mais, uma ponte, asfalto ou qualquer beneficiamento direto. O voto no Procurador Mauro era essencialmente conceitual: protesto, esperança, mudança. Para onde esse contingente vai se inclinar? Inicialmente, penso que uma porção considerável desses eleitores vão anular o voto no segundo turno das eleições para prefeito de Cuiabá. Não aceitarão nem Emanuel Pinheiro, nem Wilson Santos. São escrupulosos demais os que esperavam um candidato livre do apadrinhamento dos caciques e de processos judiciais. Ainda assim, sobrarão muitos dos mais de 70 mil votos que o Procurador Mauro recebeu e essa margem decidirá as eleições.
A pergunta deve ser refeita. Quem o eleitor do Procurador Mauro mais rejeita? Acredito que esse eleitor jovem, irresignado e combativo não suporta um grupo político envolvido com corrupção. Corrupção é o pior dos defeitos que esses 70 mil votos refuga. Wilson Santos responde processo cível pelo inconcluso Rodoanel. O eleitor sabe disso. Emanuel Pinheiro vem para a eleição sustentado num grupo político que teve seus líderes encarcerados no presídio do Carumbé pelo maior esquema criminoso já visto em Mato Grosso. O eleitor sabe que o gestor público pode responder, eventualmente, a um processo. Mas não sei se suporta saber que o candidato do PMDB trabalhou ativamente na base de sustentação do líder da pior organização criminosa da história mato-grossense, muito mais articulada na máquina pública do que o Comendador João Arcanjo Ribeiro.
O eleitor do Procurador Mauro está irritado. Vai votar “no menos pior” dos dois candidatos. Está ressentido com as obras inacabadas da Copa, com a paralisação dos investimentos públicos, com a crise de credibilidade política. No frigir dos ovos, os 70 mil eleitores que protestaram nas urnas e esperavam a mudança no quadro sucessório vão olhar as companhias dos dois candidatos, a base de apoio, os políticos que estão por trás. Muitos continuarão protestando. Anularão o voto. No entanto, uma margem menos radical vai se posicionar e, penso, que julgará o curriculum não só do candidato, mas a conjuntura da própria candidatura, enxergando o que acontecerá à cidade, se Emanuel ganhar ou Wilson vencer. Vale a pena um conflito entre prefeito e governador, em tempos de vacas magras? Devemos conduzir o mesmo grupo que gerou a pior crise financeira em Mato Grosso? Não se enganem: o eleitor do Procurador Mauro, mesmo protestando contra os dois candidatos que foram ao 2o turno, sabe muito bem avaliar quem é quem.

Eduardo Mahon é advogado.

5 Comentários

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  1. - IP 187.5.86.159 - Responder

    Eduardo Mahon muda o discurso em busca de apoio para Wilson Santos. Antes do primeiro turno, Mahon desqualificou o procurador Mauro Lara e seus eleitores, basta conferir seus artigos do período. Algumas horas depois do resultado, afaga o procurador Mauro Lara e seus eleitores. Ora, Mahon, vá procurar sua turma e não me venha com hipocrisias. Diante do quadro eleitoral do segundo turno não há outra alternativa: voto nulo neles. Não há opção: Wilson abandonou a prefeitura, é suspeito no Escândalo do Rodoanel, responde a processos por improbidade administrativa e é golpista. Já Emanuel, além de golpista, aposentou-se imoral e ilegalmente aos 32 anos de idade e nunca falou em devolver o dinheiro aos cofres públicos. Sem Mauro Lara ou Julier o segundo turno não deixa opção: voto nulo.

    • - IP 37.235.49.74 - Responder

      Esses caras nos tomam por idiotas. Ficam falando em “esquema criminoso” aqui e apoiam o governo do Michel Temer em nível Federal, do mesmo PMDB do mesmo Bezerra do Emanuel Pinheiro, do mesmo Jucá, do mesmo Sarney, do mesmo Cunha, do mesmo Jader Barbalho, da mesma quadrilha que roubou a Petrobrás, que esteve com FHC, que esteve com PT, e agora com eles de novo. Se Emanuel é tão ruim, porque Wilson o colocou de secretário da Prefeitura? Quando Michel Temer pediu votos para Dilma para o SEGUNDO mandato (vai falar que não a conhecia?) era demônio, agora com serra e o amiguinho do Taques no ministério das Cidades virou anjinho, a ponto de Taques dar apoio e Wilson idem. Procurador Mauro era ruim, os que votavam nele, alienados, agora os corteja. Bando de caras-de-pau!!! Esse Mahon tá achando que Taques vai ser Presidente da República ou Ministro do STF e e ele Ministro da Justiça, por isso fica nesse nhén nhén nhén aí…ou talvez ele queira ele mesmo ir para o STF…e do jeito que o Brasil está, com os hipócritas, caras-de-pau, marqueteiros, enganadores, todos no poder, sabe-se lá…

  2. - IP 191.230.80.108 - Responder

    Bom, sei que o que deve ser comentado é o artigo, mas não entendi essa da Página do Enock. Qual o critério utilizado para que esse senhor, Eduardo Mahon, tenha seu artigo publicado nessa página? Tenho a Página do Enock como um refúgio progressista ante a proliferação de blog´s nitidamente com viés conservador e de direita. Ou seja, o advogado Mahon tem já tanto espaço com suas ideias reacionárias e conservadoras que não seria preciso, ou não justificável, a publicação do artigo nesse espaço. Realmente, fiquei bastante decepcionado com essa publicação. Já com relação ao artigo em si, trata-se mais do mesmo. Tudo que sai da pena (ou do teclado) desse senhor pode apostar que é, ou uma defesa escancarada do PSDB e seus candidatos ou, o que dá no mesmo, acusações contra qualquer alternativa ao status co da política cuiabana e mato-grossense. Como sempre, ou quase sempre, seus artigos dão uma ideia de alguém neutro, imparcial e o leitor mais apressado e ingenuo cai nesse discurso do advogado que só está fazendo análise e não agindo politicamente. Mas, um pouco mais de atenção e vê-se, claramente, como aliás notou o colega comentarista Vicente Araújo, que o nobre advogado faz campanha para Wilson Santos e tenta convencer os eleitores do Procurador Mauro a votar no projeto politico tucano. Inclusive utilizando os mesmos argumentos da campanha oficial, que coloca Emanuel Pinheiro junto com grupo do Silval, etc. Como eu não voto em Wilson Santos e muito menos em Emanuel Pinheiro, ou vice versa, esse discursinho em prol do tucano não me atinge. Para terminar: como já disse, estou profundamente decepcionado com o “Página do Enock” por ter publicado tal texto. Poderíamos ter passado sem essa. Se é para ler textos desse advogado, há outros canais. Aqui, pelo menos em minha opinião, seria muito mais interessante dar espaço para autores com viés mais progressista e democrático.

    • - IP 189.59.46.81 - Responder

      É isso ai Helio Santos, excelente e esclarecedora análise em poucas linhas. #Tamujuntos

  3. - IP 189.114.55.193 - Responder

    “quem são e para onde vão essa enorme quantidade de votos? Essa é a grande questão e, claro, a mais difícil”

    Um candidato tem 46% de rejeição enquanto o outro tem 10%, não acho tão difícil!

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