ADEMAR ADAMS faz seu balanço do MENSALÃO: “José Dirceu, José Genoíno, Joaquim Barbosa e o PT são hoje meros “fakes” do que representaram no passado e seguem a passos largos das passarelas para a sarjeta”

 Para o analista Ademar Adams, os principais envolvido nessa história do Mensalão são hoje apenas uma sombra do passado virtuoso. O ativista que combateu a ditadura na juventude, José Dirceu, chegou ao poder e se tornou tão truculento como os milicos que o perseguiram. O guerrilheiro Genoíno foi um dos pais da guinada à direta do PT, partido que nascera de uma simbiose do operariado e dos intelectuais de esquerda.Joaquim Barbosa, festejado como primeiro negro na Suprema Corte, ficará na história como um ministro truculento, vingativo que deixou aflorar recalques impensados para alguém que vencera na vida pelo esforço próprio.


Para o analista Ademar Adams, os principais envolvido nessa história do Mensalão são hoje apenas uma sombra do passado virtuoso. Para Adams, José Dirceu,  ativista que combateu a ditadura na juventude, chegou ao poder e se tornou tão truculento como os milicos que o perseguiram. O guerrilheiro Genoíno foi um dos pais da guinada à direta do PT, partido que nascera de uma simbiose do operariado e dos intelectuais de esquerda.Joaquim Barbosa, festejado como primeiro negro na Suprema Corte, ficará na história, sim, mas como um ministro truculento, vingativo que deixou aflorar recalques impensados para alguém que vencera na vida pelo esforço próprio.

Zé Dirceu, Genoíno, PT e Barbosão: todos são fakes

por ADEMAR ADAMS

 

 

Toda vez que manifesto minha opinião sobre esse tal de mensalão, vem um enxurrada de ataques de analfabetos políticos ou de gente da direita que não suporta a ideia de um metalúrgico e umaex-guerrilheira no comando da nação. Por isso resolvi apresentar minha opinião sobre o assunto, sem a pretensão de esgotá-lo, nem de agradar qualquer dos lados.

Eu estava em Belém em 1999, participando do “II Encontro Latino-americano contra o neoliberalismo” e na abertura assisti um grande arranca-raboprovocado por manifestantes do chamado anarco-sindicalismo que queriam impedir Zé Dirceu de usar a palavra. Ele dirigira dias antes o 2º Congresso do PT em Belo Horizonte, que aprovara a guinada do partido à direita, em busca do poder. Por isso foi preciso a interferência firme do prefeito Edimilson, para garantir a fala constrangida do presidente do PT. Edimilson anos depois foi também chutado do partido por manter sua coerência ideológica.

Na eleição seguinte veio a aliança do PT com o PL, do milionário Zé Alencar, e demais alguns outros partidos de aluguel que ajudaram Lula ganhar a eleição para presidente e fazer um governo politicamente meia boca. E aí os antes tido como éticos, passaram a ver que sem o pagamento dos alugueres aos fisiológicos de sempre, era crise todo dia…

Zé Dirceu se tornou o condestável da República. Articulado e propositivo, mandava no governo e se preparava para ser o sucessor de Lula. Inescrupuloso, jogou no lixo tudo que o PT construíra de projetos de governo, trocando o ideário político pela pragmática e liberou a ratatuia para fazer no governo o que sempre se fez nesse país desde Tomé de Souza.

A reforma da Previdência foi clímax do descaramento do petismo no início governo. Se a reforma era boa, por que os deputados petistas bateram o pé e não deixaram FHC fazê-la? “É que agora somos governo”, justificou o então presidente da Câmara, João Paulo Cunha, um bobalhão venal que depois sujou as mãos por uma mixaria.

Nos debates sobre a reforma da Previdência, tivemos um capítulo em Mato Grosso. O traíra deputado Abicallil trouxe o relator do projeto, para tentar justificar a traição aos servidores públicos. Traição, porque antes os petistas abraçavam os números e as teses fundamentadas em estudos da Confederação dos servidores fazendários sobre os verdadeiros problemas da previdência social no Brasil. Entrando no governo mudaram de posição adotando as mesmas teses dos tucanos.

Um escândalo para derrubar Lula

Veio o chamado “mensalão”, que nunca foi mensalão, pois a compra de parlamentares não era mensal, mas sim pontual como sempre se fez neste país. Mas ao executar essa prática centenária de fazer aliados com grana, esqueceram-se os tolos de que a Polícia Federal e o Ministério Público não estavam mais atrelados ao executivo. E muitos destes agentes públicos de fiscalização e controle estavam muito desgostosos com as reformas e o mau-caratismo que passara a ser demonstrado pelo petistas no governo.

Outro fator que pesou foi a questão de que os petistas sempre se diziam impolutos, como se tivessem o monopólio da decência e os outros todos fossem corruptos. Assim, quando começaram a fazer no governo igualzinho o que os demais tinha feito sempre, a vontade de desmascará-los foi grande.

Outro fator que pesou foi a força da grande mídia que não se conformava com a divisão do bolo publicitário oficial, que passou a ser distribuído a um maior número de veículos. Além, é claro, que as empresas de mídia são fortes aliados do capital, do latifúndio e da intelectualidade conservadora, todos insatisfeitos com um peão no comando do país.

O estilo autoritário do Zé Dirceu levou-o a chocar-se com Roberto Jefferson, deputado venal desde sempre que, num lance de desespero, chutou o balde. Aí foi como um rastilho de pólvora e todos que queriam ver o oco do petismo foram à forra. E não foi difícil levantar o tapete e ver por debaixo a sujeira da política real sempre praticada nos desvãos do poder.

Quantos foram corrompidos para dar cinco anos para Sarney? Quantos FHC comprou para assegurar a reeleição? Quanto do dinheiro público correu, nos tempos tucanos, pelo esgoto da corrupção para fazer a privatização/doação bilhonária das estatais que ultrapassou todos os “limites da irresponsabilidade”?

Mas aí havia um Ministério Público dócil. Como esquecer do Brindeiro, carimbado como “engavetador geral” da República? E no comando da Polícia Federal tinha sempre um capacho. E a mídia? Ora essa era devidamente azeitada, além de adorar o “Farol de Alexandria”, um intelectual que ornava bem com os sonhos de país dessa gente conservadora e anti-povo.

O chamado “escândalo do mensalão”, porém não atingiu o objetivo principal de evitar a reeleição de Lula. Reeleito, mais ódio das elites foi destilado. Porém, a eficácia do seu governo, balançando as estruturas sociais do país, levando comida e conforto para dezenas de milhões que sempre estiveram à margem das riquezas do país, deu fôlego para o metalúrgico ser reeleito, sair por cima de tudo e ainda fazer a seu talante a sucessora (até contra à vontade de certa parte do petismo).

O tribunal de exceção

O julgamento do chamado mensalão ainda vai dar muito o que falar. Livros e teses virão de monte. É que as lições que se pode tirar são muitas.

O que poderia ser uma lição de como o judiciário deve atuar se tornou um exemplo de como a justiça não deve se comportar.

Um ponto: a justiça sempre deve procurar combater as chicanas mas na sessão que estava decidindo a aceitação dos embargos infringentes, Gilmar Mendes e Marco Aurélio falaram e enrolaram por horas antes do voto. Aquele cuspindo um discurso partidário carregado de ódio, e este como uma fala empolada, nojenta e vazia, mas ambos empurrando a sessão para a outra semana. Queriam que durante alguns dias a mídia constrangesse tanto o ministro Celso de Melo para que mudasse o voto e, cuspindo no seu passado recente, cedesse a imposição dos pulhas.

Não há espaço aqui para aprofundar no tema, nem tenho a pretensão de cultura jurídica à altura, mas li a opinião de pessoas conhecidas por sabedoria e preparo incontestáveis que identificaram nesse julgamento, falhas e patranhas que macularão para sempre a história da nosso STF. Para resumir vou citar os mesmos que o filósofo Leonardo Boff citou em artigo recente, um progressista e um conservador: Bandeira de Melo que afirmou que as condenações foram políticas e não jurídicas e Ives Gandra Martins que não viu provas para as condenações.

A tese importada do “domínio do fato” é de um farisaísmo tão canalha quanto insólito. O próprio jurista alemão, Claus Roxin, considerado expert nessa tese, disse à Folha que o STF errou pela falta de provas contra os réus.

Nesse julgamento, união do capangueiro e do primo do Collor com o pertinaz justiceiro, com sua carranca carregada de rancor, formaram um trio que acabou arrastando a cabeça de algumas senhoras, que trêmulas, sucumbiram ao temor de uma exposição midiática negativa. A força da televisão atiçou os apelos da massa popular que, como disse um biógrafo do apóstolo Paulo referindo-se aos cristãos jogados às feras no coliseu, “está sempre ávida de sangue e sempre mal informada.”

O mesmo Tribunal que mantém Maluf livre e deputado, apesar de ser procurado no mundo todo pela Interpol, condena, prende, execra e humilha alguns processados cujas provas contra eles não são conclusivas.

Zé Dirceu e Genoíno mereciam, sim, ser punidos. A começar porque no poder usaram de truculência contra os colegas petistas, quando expulsaram aqueles que se rebelaram corretamente contra a guinada conservadora do partido. Fizeram aos companheiros rebeldes pior que os militares tinha feito com eles, pois dos milicos eles eram inimigos ideológicos.

Foram eles também que fizeram do PT um partido venal e carente de escrúpulos, pois aliaram-se ao que de pior tem na política brasileira: Sarney, Maluf, Roberto Jefferson, Pedro Henry e Silval, para citar alguns. São políticos que deveriam na minha opinião estar efetivamente na cadeia.

Mas Zé Dirceu e Genoíno mereciam a condenação política, deixando-os sem votos, sendo alijados do poder. Mas no judiciário deveriam ter tido um julgamento justo, neutro e legal, o que efetivamente não ocorreu.

Festejar esse tipo de condenação, só porque não gostamos deles é temerário. Porque no dia em que o ódio de julgadores como os ministros Barbosa e Mendes, se voltar contra nós ou nossos filhos, a quem poderemos recorrer? Aliás, fosse este um país sério, ambos já estariam fora da alta corte por atos cometidos, afrontando a lei, quando deveriam, mais do que ninguém, respeitá-la.

Fakes

Por fim, me resta uma constatação: Os principais envolvido nessa história são apenas uma sombra do passado virtuoso.

O ativista que combateu a ditadura na juventude, José Dirceu após superar as agruras da perseguição feroz da ditadura e o exílio, chegou ao poder e se tornou tão truculento como os milicos que o perseguiram e politiqueiro como um Sarney qualquer.

O guerrilheiro Genoíno se tornou um deputado atuante no congresso, mas esteve sempre colado à mídia conservadora, foi um dos pais da guinada à direta do partido que nascera de uma simbiose do operariado e dos intelectuais de esquerda.

Joaquim Barbosa, festejado como primeiro negro na Suprema Corte, tido como referência ética e de admirável cultura jurídica, foi ovacionado em todo o país ao enquadrar Gilmar Mendes como chefe de capangas, em sessão do STF. Todos esperavam que ele no comando do judiciário fizesse um gestão histórica. Ficar para a história, isso vai, mas como um ministro truculento, vingativo que deixou aflorar recalques impensados para alguém que vencera na vida pelo esforço próprio.

E o Partido dos Trabalhadores que foi um partido de sonhos de um Brasil novo, no governo ficou velho. Depois das alianças com a mesma camarilha que apoiou todos os últimos governos desde a ditadura, se tornou “carne de vaca” e vai acabar como tantos outros, corroído pela fisiologia, carente de ética e vazio ideologicamente.

Assim, Dirceu, Genoíno, Barbosão e o PT são hoje meros “fakes” do que representaram no passado e seguem a passos largos das passarelas para a sarjeta.

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Ademar Adams é Jornalista em Cuiabá

Categorias:Cidadania

8 Comentários

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  1. - IP 177.221.96.140 - Responder

    O Ademar usou toda essa lenga-lenga para convencer os bocoiós de que a condenação dos mensaleiros foi sem provas. Isso é apenas um truque da defesa política dos mensaleiros porque a verdade é que o processo está coalhado de provas.

    Ele, o Ademar, não consegue esconder que considera os crimes da esquerda como se fossem virtudes, tanto que defende os bandidos petralhas com o argumento de que nada mais fizeram do que repetir o que sempre foi feito por outros partidos, mas que ele reprovava. Então, agora aprova? O que os adversários ideológicos fazem é crime, mas as mesmas práticas pela esquerda, o Ademar considera desculpável. Leiam abaixo o impensável paragrafo que o impensável Ademar escreveu:

    “Zé Dirceu e Genoíno mereciam, sim, ser punidos. A começar porque no poder usaram de truculência contra os colegas petistas, quando expulsaram aqueles que se rebelaram corretamente contra a guinada conservadora do partido. Fizeram aos companheiros rebeldes pior que os militares tinha feito com eles, pois dos milicos eles eram inimigos ideológicos”.

    O Ademar, com o argumento de que eram inimigos ideológicos, atenua as torturas praticadas pelos militares, isso explica porque a corja sanguinária da esquerdista sempre trucida os opositores. Ainda bem que aqueles que queriam implantar no Brasil uma ditadura comunista não conseguiram, caso contrário, eles teriam massacrado milhões.

    Ademar, procure aprender, a tortura é sempre uma coisa abominável, a esquerda não compreende isso e não se importa que ela aconteça, desde que seja com os outros, em especial, os inimigos ideológicos.

    Se o Ademar continuar assim, no próximo texto ele vai escrever que o Lula não sabia de nada.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      O anonimato é crime, a covardia é defeito de caráter e ser pau mandado é tão indigno que não merce resposta.
      Em todo o caso, obrigado meu leitor cativo.

      • - IP 191.195.48.107 - Responder

        Queria ver esses indignados comentarem outras materias por aqui…como a que reporta a acusacao do advogado do aprendiz ao MP que nao indicia o moto-serra de ouro no caso dos maquinarios…e um silencio sepulcral…kkkk

        • - IP 177.221.96.140 - Responder

          Sr. Carlão, o Sr está coberto de razão. a lei tem que ser para todos.

      • - IP 177.221.96.140 - Responder

        Anonimato é crime?? Em que faculdade de Direito o Sr. Ademar estudou, com certeza não foi na UFMT, cursada pelo Enock, onde eu não tive a honra ser colega dele, porque não fomos contemporâneos. Mas o Ademar acho que é completamente leigo em Direito. Crime de anonimato?? De onde será que ele tira essas idéias???

  2. - IP 189.73.253.89 - Responder

    Nisso tudo algumas coisas teimam em desmentir que o julgamenteo foi “político” e que os CRIMINOSOS CONDENADOS são “presos políticos”; senão vejamos:
    1-Como pode o STF ter condenado os CRIMINOSOS em um “julgamento político” se a MAIORIA dos ministros do STF foram nomeados pelos governos do pt?
    2-Porque insistem em chamar genoíno , delúbio , e zé dirceu de “presos políticos “, mas nada dizem sobre pedro henry , waldemar costa neto , kátia rabelo , marcos valério… Eles não merecem a mesma consideracao do pt?
    3- O STF não condenou o deputado donadon de Rondonia tambem , e o mandou à prisão por igual crime de corrupção.
    4- Porque o pt , que tanto lutou pela aplicação das leis , justo agora que a lei contra esse cançer da corrupção foi aplicada , justo o pt é quem mais ataca a lei?
    Precisamos por um fim nisto . Cometeram um crime contra a pátria , tramaram , esculacharam com nossa democracia ,foram pegos , acusados , julgados e condenados ; pronto . É isso. Fim.
    Acreditemos em nossa lei , pois é só ela que temos.

    • - IP 177.1.234.233 - Responder

      1) O fato do governo ter nomeado ministros do Supremo não assegura fidelidade dos votos deles, porque, com excesão do Toffoli e do Joaquim Barbosa (que são bem fraquinhos tecnicamente), todos os ministros foram escolhidos pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma por sua notória capacidade técnica, não por seu engajamento político. Assim, pesou muito mais na decisão dos ministros nomeados por Lula e Dilma muito mais a pressão da Grande Imprensa, que iria crucificá-los caso não condenasse os réus, do que uma suposta atitude de subserviência ao governo ou aos presidentes que os nomeou. Inclusive quem assistiu o julgamento, viu as ministras Rosa Weber e Carmem Lúcia chegar a mudar seu voto, ao serem pressionadas pelo relator Joaquim Barbosa. Enfim, faltou aos ministros a coragem de resistir a pressão e promover um julgamento justo. 2) É dito que os réus José Genoino e José Dirceu são réus “políticos”porque o julgamento desses dois réus foi muito mais POLÍTICO do que TÉCNICO. Assim, como não havia nos Autos da Ação 470 nenhuma prova da participação dos réus Genoino e Dirceu, o STF precisou recorrer à teoria do domínio do fato, chegando a mudar ai a jurisprudência adotada pelo Supremo até então, para só então ter como condenar esses dois réus e assim atender a pressão da Grande Imprensa. 3). Sim. A diferença é que no julgamento do Deputado Donadon haviam PROVAS contra ele, sua condenação foi justa e o julgamento foi técnico, não político. 4) Eu não vejo os militantes do PT contrários a Lei de dois pesos e duas medidas. Eles sabem que o condenação dos antigos líderes do PT (genoino e Dirceu) foi injusta, por não seguir a jurisprudência da Justiça, mas eles ficam indignados de ver que esse Poder Judiciário que foi tão duro com eles, não age assim também com outros réus. Assim, enquanto os réus do mensalão do PT foram rapidamente julgados e condenados, o processo do mensalão do PSDB dorme em alguma gaveta no mesmo Supremo, sendo que o crime deles está prestes a prescrever, deixando os pilantras tucanos impunes. Na própria condenação dos réus do mensalão do PT há injustiças. Enquanto Genoino, doente, que foi condenado sem provas e um regime SEMI-ABERTO, ficou preso 3 dias injustamente em regime FECHADO e continua cumprindo pena em regime domiciliar há quase 30 dias. Por outro lado, Roberto Jefferson, que foi condenado COM PROVAS

  3. - IP 177.1.234.233 - Responder

    Excelente o artigo do jornalista Ademar Adams.
    Parabéns por sintetizar tão tem exatamente tudo aquilo que aconteceu.

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