ADAMASTOR MARTINS DE OLIVEIRA – Li neste final de semana artigo do Alfredo Mota Menezes que me chamou atenção mais pela força do tema do que pela propriedade dos argumentos. Tratava de verbas para a Saúde e a Educação.

Adamastor de Oliveira é engenheiro e advogado em Mato Grosso

Prioridades
Adamastor Martins de Oliveira

Li neste último final de semana artigo do articulista Alfredo Mota Menezes que me chamou atenção mais pela força do tema do que pela propriedade dos argumentos.

É chover no molhado dizer que não adianta aumentar o porcentual das verbas para educação e saúde em relação ao PIB sem melhorar a eficiência da gestão desses recursos, isso é óbvio e ululante.

Assim como, tendo a melhoria da gestão como inequívoco corolário, é evidente também que esse avanço na gestão só seria possível quando todos nós, incluindo aí os agentes políticos, independentemente de cores partidárias, deixarmos de utilizá-las como moeda de troca em eleições.

São pressupostos básicos.

Desta forma, fica a discussão restrita à decisão de quanto do PIB devemos investir nessas duas áreas, mais que prioritárias. E se nos compararmos a países que já estão em avançados patamares de desenvolvimento da educação e saúde e que até bem pouco tempo estavam em patamares iguais ao do Brasil como a China e Tigres Asiáticos veremos que a parcela do PIB destinada à saúde e educação atual é bem parecida mesmo.

Ocorre que, esses países, em determinado momento de suas histórias, passaram por reformas estruturais de seus sistemas educacionais e de saúde e que exigiram, em quase todos os casos, mais do que a triplicação momentânea dos gastos públicos nessas duas áreas, que passaram de uma média de 4,0% do PIB desses governos para até 15,0%. No caso da educação, para essa reestruturação, a maior parte foi alocada para a educação primária, representando de 60 a 80% do total e na saúde os mesmos percentuais aplicados em saneamento básico e prevenção.

E não tem quem não considere que a ênfase prioritária na educação e na saúde foram as responsáveis por fornecer a esses países força de trabalho qualificada, fundamental para o desenvolvimento da indústria manufatureira e de base e que os catapultaram aos patamares de IDH alcançados hoje.

Nosso problema é que não estamos conseguindo estabelecer prioridades.

Assistimos a essa falta de prioridade cotidianamente em todos os setores sociais, dentre muitos outros casos, quando: (i) elegemos os candidatos a cargos eletivos totalmente descompromissados com essas causas; (ii) deixamos que àqueles que elegemos decidam que um vereador, um policial ou um ambulante ganhe mais que um professor; (iii) decidimos valorizar mais os atletas campeões de modalidades como futebol e basquete, do que os alunos primeiros colocados em olimpíadas de matemática e redação; e (iv) optamos por fazer a cobertura jornalística dos jogos do Arsenal (futebol americano) ou do Dinossauros (baseball) em Cuiabá ao invés de cobrirmos os jogos estudantis estaduais, com disputas interessantíssimas no Xadrez, dentre outras modalidades, ocorridas nos dias 28 e 29 em Cuiabá, disputas que se deram com a total ausência de cobertura jornalística.

Adamastor Martins de Oliveira – Engenheiro e Advogado é Servidor Público Federal em Mato Grosso

E-mail: adamastorm@yahoo.com.br

1 Comentário

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  1. - IP 177.145.85.111 - Responder

    Adamastor,
    Faz tempo que não leio os articulistas da Gazeta. Mesmo com o brilhantismo do professor Mota Menezes e a sinceridade da Loremberg Alves, ele não tem independência para escrever.
    Quer um exemplo: eles são proibidos de fazer críticas ao Riva, referindo-se aos milhões desviados da Assembléia. Logo, escrever sob censura, o que é triste. O pior é que aceitam este absurdo.
    Se o Professor Mota Menezes falasse claramente uma questão que é notória, o fato de ser o deputado José Riva que decide as verbas para a saúde, desde os tempos do Blairo Maggi, estaria tocando na ferida.
    Pois, se um homem acusado de desviar meio bilhão do erário, cuida da grana da saúde do estado, não há como essa área sair do caos atual.
    Não adianta aumentar as verbas,não adianta gerenciar. Grande parte vai escorrer pelo ladrão da corrupção.

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