TCE - DEZEMBRO

ADAMASTOR DE OLIVEIRA: Bastam algumas festas regadas com bons vinhos, carrões estacionados à porta, um convite para integrar a maçonaria e três rodadas de poker…O cara, que, até ontem, era branco pobre, negro, excluído, maltratado e discriminado, passa a se achar membro honorário do Instituto Millenium.

O Grito de Munch
por ADAMASTOR MARTINS DE OLIVEIRA

Sempre que nos assombrassem as achegas trazidas pelos últimos acordes do ano, ou os anúncios do Armagedom, ou até mesmo as auroras ou crepúsculos de cada instante, dever-nos-íamos refletir, conversar, discutir.

Não a discussão dos que gritam até quando escrevem, dos que impostam a voz com queixos arqueados acima da linha horizonte até quando mentem, dos que fitam o infinito enquanto falam até com seus filhos ou dos que têm a eterna certeza até quando perguntam, enfim… não dos que têm almas aflitas e corações distantes.

Precisamos apenas da fala mansa, como a do apaixonado que sussurra qualquer coisa carinhosa ao pé do ouvido, dos que, como diria Padre Léo, mantêm próximos os corações e não precisam de megafone para serem ouvidos.

Fiquemos atentos, entretanto, aos gritos quase sempre silenciosos dos excluídos, pois que eles já não têm vez e nem voz na nossa mídia oligarquizada e também não podem contar mais com muitas das vozes que antes clamavam por eles, cooptadas que foram pelo conforto vazio do dinheiro fácil e que traz com ele o sucesso efêmero e a sensação fugaz e irreal de que, na vil posse dele, já fazem parte da elite predadora.

E é exatamente nesse ponto que devemos concentrar parte das nossas reflexões, pois é incrível capacidade que têm as elites de arregimentar os incautos que alcançaram algum sucesso financeiro ou na carreira.

Bastam apenas algumas festas regadas com bons vinhos, carrões estacionados à porta, um convite para integrar a maçonaria e três rodadas de poker… pronto! O cara, que, até ontem, era branco pobre, negro, excluído, maltratado e discriminado, passa a se achar membro honorário do Instituto Millenium.

Então, aproveito mais este aparente ponto de inflexão em nossas vidas, com a chegada de um novo ano, para propor-lhes uma atenta análise do céu de Munch, com suas cores vivas e expressivas, tanto capazes de nos lembrar da angústia e da dor alheias como capazes de nos fazer senti-las também.

Feliz 2013!

Adamastor Martins de Oliveira é Engenheiro e Advogado em Cuiabá/MT

E-mail: adamastorm@yahoo.com.br

7 Comentários

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  1. - Responder

    Eita. Como a inveja rói um cidadão!

  2. - Responder

    Daí eu concordo com o articulista…..

  3. - Responder

    Cuida do cotovelo ok?

  4. - Responder

    Falou, falou, falou e não falou porra nenhuma.

  5. - Responder

    Os comentários a. cima mostram que a carapuça serviu para alguns. Lamentável como alguns homens se vendem por poucos agrados, e quando são confrontados, acusam quem os rejeita de invejosos. Ora, seu um homem honrado que não se vende por nada, como você Adamastor, não é questão de escolhas, é de berço que temos nossos valores. Alguns conseguem esconder seu apreço pelo ganho fácil enquanto lhes falta oportunidade, mas logo que a oportunidade chega se vendem por qualquer tostão. Parabéns pelo artigo, quando é muito mais fácil ser amigo do poder.

    • - Responder

      Elda, apenas um comentário desse seu, pessoa da mais alta qualidade que sempre teve a coragem de confrontar o mal e assinar o que escreve, valem infinitamente mais do que infinitos comentários dos insignificantes anônimos. Aproveito para desejar um grande ano pra você e para toda sua família, que tenho grande admiração, pois, como você disse, servir ao bem não é uma opção particular, é uma construção de gerações. Hoje somos poucos, então, que sejamos tenazes para que sejamos todos, em breve… grato pelo apoio.

  6. - Responder

    Que triste a inveja, né?
    Não foi convidado pra festa! kkkkk

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