A Terra não é um forno. Cresce questionamento da tese do aquecimento global

Aquecimento global

A Terra não é um forno

Tese de que as ações do homem estão superaquecendo o planeta ganha ares de verdade inquestionável, mas há uma corrente de estudiosos, incluindo brasileiros, que refuta ou relativiza o aumento da temperatura na Terra

Cezar Santos

jornal OPÇÃO- Goiânia

A Rio+20, a Con­fe­rência das Nações Unidas so­bre De­sen­volvi­mento Sus­tentável, que terminou na sexta-feira, 22, pôs em evidência as questões relativas ao meio ambiente. Um dos temas em evidência foi o aquecimento global. A tese mais comum é de que o mundo está aquecendo a níveis que logo serão insuportáveis e por isso estamos à beira de uma catástrofe. A afirmação, com variações, é normalmente sacada por ambientalistas ou pseudoambientalistas, geralmente com o semblante grave, como se estivessem dizendo uma tese absolutamente irrefutável do ponto de vista científico. É o mito do aquecimento global ou, mais recente e eufemisticamente, mu­danças climáticas.

Segundo essa tese, o aquecimento global está ocorrendo principalmente em função do aumento da emissão de gases poluentes, produzidos pela queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases — ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono — formam uma espécie de escudo sobre a Terra, uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o chamado efeito estufa. Esses gases absorvem grande parte da radiação infravermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor. Ou seja, a Terra está virando um tipo de forno, produzindo calor sem ter por onde esse calor se dissipar.

Nesse quadro, o ser humano logo vai virar churrasco assado ao bafo. Na causa desse fenômeno também estariam o desmatamento e a queimada de florestas e matas. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global ou da mudança climática. O fenômeno ocorre de forma bastante perceptível e mais evidente nas grandes cidades, mas suas consequências também se notariam em todo o globo terrestre.

Numa rápida pesquisa na internet pode-se resumir as consequências do aquecimento global em: — Aumento do nível dos oceanos. Com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível das águas dos oceanos, podem ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas; — Crescimento e surgimento de desertos. O aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil, países africanos), a tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta; — Aumento de furacões, tu­fões e ciclones. O aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas; — Ondas de calor.

Regiões de temperaturas amenas têm sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando até mesmo mortes de idosos e crianças. No Brasil, secas e enchentes devastadoras no Norte e no Sul são apontadas com resultado do aquecimento global.

Fortunas

O discurso sobre o aquecimento global tem feito fama e fortunas mundo a fora. Há muita gente incontestavelmente estudiosa, honesta e bem-intencionada na defesa da tese, ambientalistas, jornalistas, acadêmicos de várias disciplinas, especialistas em meio ambiente. Mas há também curiosos e “embrulhões” de várias estirpes. Uns e outros estão ga­nhando a vida e muitos enriqueceram fazendo palestras, escrevendo livros e anunciando aos setes ventos a catástrofe eminente que vem aí.

O mais notório desses propagadores do apocalipse talvez seja o ex-vice-presidente americano Al Gore, que certamente tem convicção no que diz, mesmo porque seu discurso ambientalista remonta à década de 70 no século passado. Gore vem fazendo uma cruzada pelo mundo — muito bem remunerado, diga-se — nessa missão. Em 2006, ele deu a público o documentário “Uma Ver­dade Inconveniente: o que devemos fazer (e saber) sobre o aquecimento global”, mostrando sua versão do aquecimento global e suas consequências.

O documentário é belo e impactante. Trata-se de uma superprodução, se é que o termo cabe num documentário, de caráter informativo, como não poderia deixar de ser. As cenas pontuam as palestras proferidas por Al Gore o redor do mundo, com retórica eloquente e excelência de recursos audiovisuais. Dados científicos e imagens de fenômenos naturais recentes são mostrados à exaustão.

Al Gore argumenta de forma convincente que a temperatura da terra está aumentando e que a principal causa desse aquecimento são as ações do homem — claro, se há um crime, tem de haver um culpado. Muitos dizem que a veracidade com que o tema é tratado remove qualquer dúvida de que as atividades humanas exercem influências na mudança do clima. O objetivo claro é alarmar o espectador quanto aos desastres ambientais a que estamos sujeitos. Aliás, esse quadro dantesco já é uma realidade, estamos vivendo isso, mostra Al Gore.

Produzido por cineastas americanos experientes, a edição de “Uma verdade inconveniente” quer pegar o espectador também pelo emocional. Estudos da ONU foram fraudados O fenômeno do aquecimento global e suas consequências nefastas, ou das mu­danças climáticas, se tornou uma espécie de Fla-Flu. Mas os chamados “aquecimentistas” sofreram um abalo há alguns anos, quando fraudes e manipulação de dados de pesquisa foram descobertos. Há pouco mais de dois anos a imprensa noticiou que conclusões pessimistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU, tinham sido forçadas.

O estudo dizia que ou se tomavam providências radicais para cortar as emissões de gases do efeito estufa decorrentes da atividade humana, ou o mundo chegaria ao fim do século 21 à beira de uma catástrofe. No final de 2009, descobriu-se que muitas das pesquisas que dão sustentação aos relatórios do IPCC eram especulações sem base científica. Os cientistas que conduziam esses estudos manipularam dados para amparar suas conclusões, ou seja, provar o que não existia.

A coisa começou a degringolar feio quando hackers capturaram e divulgaram mais de mil e-mails trocados entre cientistas ligados à Universidade de East Anglia, na Inglaterra, o principal centro mundial de climatologia. As mensagens mostravam que os cientistas distorceram gráficos para provar que o Planeta nunca esteve tão quente no último milênio. Os e-mails também mostraram que os “aquecimentistas” boicotavam colegas que divergiam de suas opiniões, escamoteando dados das pesquisas que estes realizavam.

Esses adeptos do “forno global” também agiam para impedir que os céticos (os cientistas que divergem das teses do IPCC) publicassem seus trabalhos em revistas científicas de prestígio. O maior vilão dessa história é o climatologista inglês Phil Jones, diretor do Centro de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia. Jones é bambambã do dogma da mudança climática e responsável pelos e-mails mais comprometedores.

Flagrado na mentira, ele admitiu pu­blicamente que, em dois períodos (1860-1880 e 1910-1940), o mundo viveu um aquecimento global semelhante ao que ocorre agora, sem que se possa culpar a atividade humana por isso. O climatologista reconheceu também que desde 1995 o mundo não experimenta a­que­­cimento algum. Evidentemente, a reputação do IPCC sofreu um drástico abalo.

Mais erros grosseiros foram descobertos numa das pesquisas que compõem relatório divulgado em 2007. O texto afirma que as geleiras do Himalaia podem desaparecer até 2035, por causa do aquecimento global. As consequências do derretimento seriam devastadoras para bilhões de pessoas na Ásia que dependem da água produzida pelo degelo nas montanhas. Os cientistas do IPCC reconheceram que a previsão não tem fundamento científico e fora elaborada como especulação.

A mentiralhada foi tratada como verdade incontestável por três anos, desde sua publicação. Nessa altura, foi detectado a causa da fraude, e como não poderia deixar de ser, dinheiro, sempre o dinheiro. O então presidente do IPCC, o climatologista indiano Rajendra Pachauri, era diretor do instituto de pesquisas Teri, de Nova Delhi, agraciado pela Fundação Carnegie, dos Estados Unidos, com um fundo de US$ 500 mil pa­ra fazer pesquisas… nas geleiras do Himalaia, na Ásia.

Na verdade, a mentira sobre o Himalaia já havia sido denunciada por um estudo do Ministério do Am­biente da Índia, mas o documento fora desqualificado por Pachauri como sendo “ciência de vodu”. “Há incertezas”, diz perito ambiental goiano na Rio+20 Biólogo e perito ambiental da Federação da Agricultura e Pe­cuária de Goiás (Faeg), Marcelo Lessa participou da Conferência Rio +20.

Durante alguns dias ele acompanhou os debates no evento, inclusive sobre aquecimento global, um tema que é objeto de sua área de atuação. Marcelo diz que estudiosos sérios no Brasil têm refutado a tese de aquecimento global provocado pela ação do ser humano. “Há incertezas sobre isso. Agora há a frente dos ‘aquecimentistas’, além dos ditos ambientalistas. Mas há também um grupo de pesquisadores que está ganhando força perante a imprensa, que diz que esse aquecimento não acontece. Eles dizem até que há um resfriamento do clima.” O perito de meio ambiente da Faeg reforça que esse aquecimento ocorre sim nas regiões metropolitanas por causa da alteração do microclima. As camadas de calor são formadas, mas ficam na região urbana.

Em Goiânia, por exemplo, há bairros totalmente asfaltados, com adensamento de construções. “Com pouca vegetação, se forma mais calor. A formação da chamada massa cinzenta nas regiões metropolitanas segura o calor e gera esse microclima nas zonas urbanas. Na zona rural, ainda não se tem comprovação científica disso.” Marcelo Lessa lembra que não há estudos que mostrem impacto desse aquecimento global na produção agrícola. E sobre as chamadas climáticas, ele lembra que há períodos de seca no Nordeste brasileiro, mas também ocorrem no Sul, inclusive afetando a produção agrícola e a pecuária. “Há as cheias no Norte, não se sabe se são efeitos desse aquecimento, são diferentes fenômenos em que é impossível dizer com certeza que são provocados por isso ou aquilo.”

Estudioso do tema, Marcelo Lessa diz que estudos dizem que a Terra tem mais de 5 bilhões de anos, e os cientistas colocam que a civilização tem cerca de 15 mil, no máximo 20 mil anos. “Ou seja, nem 1% do tempo da Terra. Será que nesse pequeno tempo o ser humano está sendo capaz de alterar o clima? Sendo que a Terra já foi uma bola de fogo, já foi uma bola de metano, já foi geleira, na era glacial. Talvez seja muita pretensão do ser humano acreditar que está alterando na temperatura da Terra.”

Cientistas alertam contra o catastrofismo Na última semana da Rio+20, no dia 19, o “Jornal Nacional” (TV Globo) trouxe reportagem em que grupo de cientistas expressa que não vê motivo de alarme para mudanças climáticas. Pes­quisadores respeitados, eles discordam de relatório da ONU que diz que homem é o principal culpado pelo aquecimento global. Em meio às discussões so­bre o perigo do aquecimento global e a responsabilidade do homem nas mudanças climáticas, eles defendem uma posição diferente da maioria. Se não há dúvida de que a temperatura do Planeta está au­mentando, resta saber quais seriam as consequências do aquecimento global. E quem seria o grande vilão?

O relatório da ONU, divulgado em 2007, que se tornou referência da comunidade científica, diz que o homem é o principal culpado pelo aquecimento global. O professor de meteorologia Richard Lindzen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) disse que as mudanças climáticas fazem parte da história da Terra: “O homem tem pouca influência sobre isso e não há muito o que fazer para mudar o que está acontecendo”. Físico da Universidade de Princeton, William Happer concorda e afirma que o aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera pode até aumentar a produtividade da agricultura.

“A ideia de que haverá uma catástrofe não faz sentido. Acho que no futuro nossos netos vão até agradecer por esse aumento”, brincou. As previsões pessimistas marcaram a carreira do cientista James Lovelock. Considerado o guru do movimento ambientalista, ele chegou a afirmar que seria muito tarde para salvar a Terra. Agora, Lovelock admite: a mudança climática não é tão rápida nem catastrófica como imaginava. O professor do departamento de Geografia da USP, José Bueno Conti, está entre os 18 cientistas brasileiros que em maio assinaram uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff .

No documento, criticavam o alarmismo do movimento ambientalista. Para Conti, o ho­mem interfere sim no clima, mas somente em escala local, principalmente nas zonas urbanas: “As mudanças do clima na escala global são determinadas por fatores de muito maior escala, por exemplo, astrofísicos, geológicos e especialmente a radiação solar, essa é que é a principal causa das alterações climáticas do planeta na escala maior.” l

Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff

Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso

São Paulo, 14 de maio de 2012

Exma. Sra. Dilma Vana Rousseff Presidenta da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Senhora Presidenta:

Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou, oportunamente, que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento – do qual a Humanidade necessita, de fato, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Com igual propriedade, a senhora assinalou, também, que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.

Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, observando que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, econômicas e acadêmicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.

1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global: A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real, que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a Revolução Industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico — anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana. Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global. A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo esses efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária. Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente. O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, a temperatura média global aumentou 0,74ºC, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m. Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a Civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 6.000-8.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2ºC a 3ºC superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiram até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas foram mais de 1ºC superiores às atuais. Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que os gradientes das temperaturas e dos níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza superiores aos verificados desde o século XIX. Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8ºC em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século. Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficientemente rápida para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais acelerada, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos — média de 4 metros por século. Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador. Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência: A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à Ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da Humanidade. A História registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da Ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as Ciências Agrícolas e Biológicas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a Genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma “ciência burguesa e antirrevolucionária”. O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do “lysenkoísmo”, que tem custado caro à Humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente. Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, oceânicos, geológicos, geomorfológicos e biológicos, que a Ciência apenas começa a entender em sua abrangência. Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico-ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947 e 1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”, impostos pelas restrições ambientais). A propósito, o decantado limite de 2ºC para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, em âmbito internacional, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).

3) O alarmismo climático é contraproducente: As mudanças constituem o estado permanente do sistema climático – pelo que a expressão “mudanças climáticas” chega a ser redundante. Por isso, o alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre o tema é extremamente prejudicial à atitude correta necessária diante dos fenômenos climáticos, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias. No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores. Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da Humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela Ciência e pela Tecnologia modernas. Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente na Ásia, África e América Latina. No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fosse empregada na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, boa parte dos quais sequer foi digitalizada; e numerosas outras.

4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria: Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da “descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente — sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos. O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar — ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono, e a Austrália, sob grande rejeição popular; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades. Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão-somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.

5) É preciso uma guinada para o futuro: Pela primeira vez na História, a Humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar — de uma forma inteiramente sustentável — os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais. Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso. A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.

 

Kenitiro Suguio Geólogo, Doutor em Geologia Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) Membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Luiz Carlos Baldicero Molion Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Fernando de Mello Gomide Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman) José Bueno Conti Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Autor do livro Clima e meio ambiente (Atual, 2011)

José Carlos Parente de Oliveira Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC) Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

Francisco Arthur Silva Vecchia Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos–USP Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)

Ricardo Augusto Felicio Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)

Antonio Jaschke Machado Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)

João Wagner Alencar Castro Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ

Helena Polivanov Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Gustavo Macedo de Mello Baptista Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB) Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)

Paulo Cesar Soares Geólogo, Doutor em Ciências Geológicas e Livre-docente em Estratigrafia Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Gildo Magalhães dos Santos Filho Engenheiro eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia Professor Associado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)

Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM Daniela de Souza Onça Geógrafa, Mestra e Doutora Aquecimento global

 

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