gonçalves cordeiro

Dante-Arcanjo, caso que antecipa dobradinha Perillo-Cachoeira

Demóstenes (DEM) e Perillo (PSDB) acusados de orbitar em torno do bicheiro Carlinhos Cachoeira, em Goiás

A MEMÓRIA É QUE FAZ A HISTÓRIA – Quebra da banca de Carlos “Cachoeira” em Goiás mostra que não é a 1ª vez que um governo do PSDB é envolvido num escândalo ligado à contravenção. A tentação dos caça-níqueis do “Comendador Arcanjo” seduziu o governo tucano de Dante Oliveira no Mato Grosso

 

Jornalista de grande destaque em Goiás, Marcus Vinicius escreveu aquilo que, até agora, ninguém teve a sacada ou a coragem de escrever, em Mato Grosso: uma comparação do destino do ex-governdor tucano de MT, Dante de Oliveira, precocemente falecido, com o destino do atual governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, ambos desgastados

Marcus Vinicius, jornalista em Goiás

políticamente dada a denúncia de proximidade com as poderosas estruturas do jogo do bicho, tanto no governo de Dante, no passado, como agora, no governo de Perillo. Vale a reflexão. (EC)

Comendador & Dante, Cachoeira & Marconi: a sedução do jogo do bicho
POR MARCUS VINICIUS

http://www.marcusvinicius.blog.br/blog/2012/03/03/comendador-dante-cachoeira-marconi-a-seducao-do-jogo-de-bicho/

A quebra da banca de Carlos Augusto “Cachoeira” em Goiás mostra que essa não é a primeira vez que um governo do PSDB é envolvido num escândalo ligado à contravenção. A tentação dos caça-níqueis do “Comendador Arcanjo” seduziu os governos tucanos de Dante Oliveira no Mato Grosso. O dinheiro fácil do jogo do bicho abasteceu campanhas tucanas naquele estado. Em Goiás há evidências de que recursos do jogo também irrigaram estruturas políticas.

A comprovação pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal de que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tinha uma rede de atividades ilegais em setores da administração do governador Marconi Perillo (PSDB), confirma aquilo que se comentava há muito nos bastidores da politica em Goiás: a existência de um poder paralelo no governo. Um Estado dentro do Estado, em que os agentes públicos perdem espaço para grupos privados, muitos deles alheios ao interesse coletivo, como mostram as investigações em curso.

Seis meses de escutas telefônicas autorizadas pela  Justiça confirmaram que Cachoeira tinha grande influência na Secretaria de Segurança Pública de Goiás, sendo suspeitos de participar do esquema de proteção aos jogos de azar (cassinos, caça-níqueis) 6 delegados, 30 policiais militares, oficiais da PM e agentes da Polícia Civil, além de dois delegados da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

O trabalho da PF e do Ministério Público Federal evidenciam que o poder do grupo coordenado por Carlos Augusto Ramos vai além, se estendendo à Secretaria de Indústria e Comércio e outros cargos na máquina administrativa, suspeitando-se de ramificações também no Detran-Go.

Comendador

No Mato Grosso, nas idos de 1998, ninguém tinha dúvidava que João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “Comedador”, era um homem temido, perigoso e influente no governo do tucano Dante OIiveira.

Nos oito anos da administração Dante Oliveira (1995-2002) o crime organizado ditava ordens. “Autoridades e bandidos coabitavam nos mesmos nichos sociais. O estado paralelo ameaçava o Estado Democrático de Direito. Cambistas da Loterias Colibri vendiam pules do jogo do bicho nas portas dos quartéis, delegaciais e fóruns. Os cassinos da Colibri funcionavam ostensivamente e os resultados das extrações do bicho eram divulgados pelo rádio e televisão. O homem que comandava a jogatina e factorings com relações mais que incestuosas com políticos era João Arcanjo Ribeiro, pomposamente chamado de ”Comendador” por obra e graça de uma comenda que recebera da Câmara Municipal de Cuiabá”. (Wikileaks – Link: http://migre.me/89AmI).

O Império de João Arcanjo caiu quando a PF deflagrou a Operação Arca de Noé, que prendeu o “Comendador” e seus “tenentes” na exploração de caça-níqueis e jogo do bicho. O curso das investigações revelou uma intrincada relação de João Arcanjo com o governo do tucano Dante Oliveira. Além da  influência no setor de Segurança Pública do Mato Grosso, o Comendador foi também um dos principais financiadores de campanhas do PSDB. As investigações feitas à época pela Polícia Federal e pelo Ministério Público revelaram que o total dos recursos repassados por Arcanjo para o caixa 2 das campanhas do senador Antero Paes (PSDB) e do governador Dante de Oliveira (PSDB) ultrapassaram a monta de R$ 6,4 milhões, em valores não atualizados, entre os anos de 1998 e 2002. (ver matérias: “Citações de Arcanjo derrubam mascara do tucanato e “Ex-Chefe do crime organizado pretende exigir pagamento de parlamentares – http://migre.me/89AMJ)

Proximidade

Em Goiás a Operação Monte Carlo, por meio de interceptações telefônicas e na internet, comprova que Carlos Cachoeira conversava frequentemente com  parlamentares da base de governo e com membros da alta cúpula, como o governador Marconi Perillo, o senador Demóstenes Torres (DEM), o líder do PTB na Câmara Federal, Jovair Arantes e o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal.

Em entrevista à revista Época, Jovair Arantes admite que “ele (Cachoeira), sempre foi ligado à política. Liguei recentemente para ele, por exemplo, para pedir apoio porque sou candidato à prefeitura de Goiânia. Mas era ajuda legal”, frisa.

Demóstenes Torres revela que recebeu de Carlos Cachoeira uma geladeira e um fogão de presentes por ocasião de seu casamento. “A ex-mulher dele é muito amiga da minha mulher. Ela é ex-mulher do meu suplente (Wilder Morais). Realmente temos esta relação. Pensei que ele tivesse largado a contravensão e se dedicasse somente a negócios legais”, declarou à Época.

O governador Marconi diz que conhece o bicheiro por tê-lo visto circular na “alta sociedade”. Segundo as investigações, a casa onde Cachoeira foi preso, no Residencial Alphaville, em Goiânia, pertenceu ao próprio Marconi, que alí residiu entre 2007 e 2010. Declarado à Justiça Eleitoral pelo valor R$ 417.816,13 o imóvel foi vendido por R$ 1,4 milhão ao empresário Walter Paulo (Faculdade  Padrão). O intermediário da negociação foi o ex-vereador Wladmir Garcêz, que é investigado na Operação Monte Carlo como um dos integrantes do esquema de Cachoeira.

Corrupção

Conforme registra matéria do jornal O Popular (2/02/2012) em sua decisão o Juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da 11a Vara da Justiça Federal alerta que Carlos Cachoeira é um homem bem relacionado e com patrimônio suficiente para fazer jus a propinas que seriam pagas pelo grupo comandado por ele. “Carlos Cachoeira é por demais habilidoso na arte de corromper agentes públicos, além de ter muito dinheiro para isso”.

O Juiz Paulo Augusto informa na peça judicial que a investigação do Ministério Público Federal (MPF) em torno dos negócios comandados por Carlos Cachoeira oferecem elementos de prova suficiente para apontar a existência de forters indício de prática de crimes de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, peculato, prevaricação e violação de sigilo, com propósito de conferir suporte à exploração  ilegal de máquinas programáveis, bingos de cartelas e jogos de bicho e Goiás.

“Caberá à instrução desvendar e aclarar se Cachoeira manda de fato ou, pelo menos, exerce fortíssima influência na Secretaria de Segurança Pública de Goiás. Sua imensa teia de contatos políticos chamou atenção nos diálogos constantes”, registra o Juiz Paulo Augusto Moreira Lima, em trecho da decisão judicial.

Silêncio

Por enquanto o  Palácio das Esmeraldas e o secretário de Segurança Pública ainda não se manifestaram oficialmente sobre a crise. O silêncio parece explicitar a tática de ver se o assunto “cansa” e cai no esquecimento. Alheio ao silêncio governamental,  e de setores da mídia regional e nacional, internautas manifestam indignação com o caso nas redes sociais. No Twitter, Facebook e Orkut a prisão de Cachoeira e os desdobramentos da investigação do MPF geram comentários diversos, com desdobramentos nas ruas. Os professores em greve, indignados pelo corte na folha de pagamento e pela retirada de benefícios no Plano de Cargos e Salários,  já ensaiaram um grito de guerra: “Marconi, bicheiro, devolve meu dinheiro”. Atrevido e deselegante, o slogan revela, no entanto, o ânimo com que parte substancial do servidor público comeca a enxergar a relação entre o “empresário de jogos de azar” e o governo.

A oposição começa a se manifestar. O deputado estadual Wagner Siqueira (PMDB) movimenta-se pela criação de uma CPI para apurar as relações entre Carlos Cachoeira e agentes públicos do Estado.  Ainda assim a oposição corre o risco de ver o Governo adotar a tática de impelir um dos deputados situacionistas a pedir a abertura de uma CPI para ter o controle da situação, a exemplo da “CPI do Endividamento”, que serviu de cabo-de-chicote do governo atual para açoitar elementos do governo anterior.

O povo põe, o povo tira

O povo, entretanto, não é bobo. Dante Oliveira, que fôra eleito em 1994 com um discurso de mudança e de rompimento com as oligarquias do Mato Grosso, amargou a derrota na disputa ao Senado em 2002. O eleitor matogrosensse expurgou o autor da Emenda das Diretas já depois que o ex-deputado progressista envolveu-se com o crime organizado. Em seu lugar foi eleita a professora  petista Serys Slhessarenko.

O marconismo, sob o slogan do Tempo Novo, venceu em 1998 prometendo pôr fim à “panelinha” do PMDB. Dezesseis anos depois, o que era moderno transformou-se num “museu de novidades”. Marconi que nos dois primeiros governos tinha como conselheiros o saudoso ex-governador Henrique Santillo, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz e os secretários Guiuseppe Vecci e Carlos Maranhão, nesta terceira gestão mudou de turma. Os ideólogos perderam espaço para os empresários e o governo é visto por muitos como um conglomerado de interesses, onde cada setor empresarial detém um naco de poder.

A Operação Monte Carlos põe à  prova o Marconismo “versão 3.0”  e impõe limites a ação de grupos – empresariais ou do crime organizado -, aos cofres públicos do Estado.

—————
Marcus Vinícius é goiano, nascido no Bairro de Campinas, em Goiânia. Jornalista, é graduado em Economia (UCG), com formação em História (UFG).

Foi repórter (1992 e 1995) e depois Editor de Política do Jornal Diário da Manhã (1996-2001). Colaborou nos jornais semanários Ponto de Vista (1994) e Jornal da Imprensa (1995/1998), e foi articulista do jornal semanárioTop News (1996-1998). Trabalhou como editor da revista Extra (1994-1995), de publicação mensal. Um dos criadores do site Massa e Poder (massaepoder.com.br), fundou em 2002 em Aparecida de Goiânia (região metropolitana da capital) o jornal semanário Tribuna Popular, que em 2004 passou a se denominar Jornal Onze de Maio, do qual é Editor-Geral.

Entre 2003 e 2004 foi Secretário de Comunicação da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. Em 2005 foi Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Goiânia. No ano de 2002 foi Assessor de Imprensa na campanha então governador de Goiás e candidato à reeleição Marconi Perillo (PSDB). Em 2006 foi Assessor de Imprensa na campanha do governador e candidato à reeleição Alcides Rodrigues (PP).

Para saber mais sobre as ações do Comendador no Mato Grosso, leia nos links abaixo:

Clipping Congresso Nacional:

http://oposicaonoparedao.blogspot.com/2006_05_02_archive.html

Observatário da Imprensa:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/defesa_do_congresso_ou_dos_tucanos

A Hora do Povo:

http://www.horadopovo.com.br/2006/fevereiro/22-02-06/pag3g.htm

Site 24 horas – Cuiabá

http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=176236

 

contato@marcusvinicius.blog.br

FONTE BLOG DO MARCUS VINICIUS

Categorias:Cidadania

2 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 189.114.53.39 - Responder

    Este infeliz deveria lavar a boca antes de falar do Dante.

  2. - IP 201.15.103.178 - Responder

    SENHOR BÓRIS CASÓI, PERMITA-ME MAIS UMA VEZ FAZER USO DA FRASE QUE COTIDIANAMENTE VOSSA SENHORAI DELA SE UTILIZA, PARA MANIFESTAR O INCONFORMISMO COM AS MAZELAS PRATICADAS POR AGENTES PÚBLICOS E AUXILIARES DOS PODERES CONSTITUÍDOS E INSTITUIÇÕES DA NAÇÃO BRASILEIRA, COMO SENDO: “ISSO É UMA VERGONHA”. A SER VERDADE O CONTEÚDO DA MATÉRIA EM COMENTO, O QUE NÃO ESTÁ DESCARTADO, NOS CAUSA PROFUNDA VERGONHA. VERGONHA PORQUE O JOGO DO AZAR ERA PÚBLICO E NOTÓRIA, PERÍODO EM QUE AUTORIDADES POLICIAIS, GOVERNO DO ESTADO, PODER LEGISLATIVO, PODER JUDICIÁRIO E AS INSTITUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO, PROCURADORIA GERAL DO ESTADO, DEFENSORIA PÚBLICA E TODAS AS DEMAIS POLÍCIAS DEIXARAM AS COISAS FLUIR COMO OS CHEFES DOS JOGOS QUERIAM. INCRÍVEL NÃO? ALGUNS DOS GESTORES E AGENTES QUE ATUAVAM NA ÉPOCA DITA NA MATÉRIA, O JUSTO JUIZ JÁ DEU-LHES DESTINO, ISTO É, NÃO LHES PERMITIU CONTINUAR NA PRÁTICA, OU DELITUOSA OU OMISSIVA, POIS JÁ PARTIRAM PARA OUTRO HORIZONTE. CLARO QUE AINDA HAVERÃO DE PRESTAR CONTAS, SEM DÚVIDA. MAIS UMA VEZ REGISTRO COM TRISTEZA, OS FATOS NARRADOS NA MATÉRIA EM COMENTO SÃO DEVERASMENTE VERGONHOSOS. REGISTRO QUE EU ACREDITAVA NA HONESTIDADE DO HOJE SENADOR DEMÓSTENES TORRES, POIS TIVE COM ELE EM 2.000 QUANDO O MESMO PROFERIU UMA PALESTRA EM CÁCERES – MT, PARA ACADÊMICOS DA UNEMAT, SOBRE O TEMA “IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA”, QUANDO ELE ESTAVA PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS (MPE), OPORTUNIDADE EM QUE NOS REMETIA ACREDITAR TRATAR-SE DE AGENTE PÚBLICO PROBO E HONRADO. AGORA NOS DECEPCIONA. ACREDITAR EM QUEM?. SERÁ QUE EXISTEM AINDA PESSOAS HONESTAS EM TODOS OS SENTIDOS?. SÓ DEUS SABE. DEUS FARÁ JUSTIÇA E QUEM VIVER VERÁ.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

15 − 12 =