A liberação da PCH na Gleba Cristalino, pode ter sido troca de favores entre Maggi e o pecuarista Antonio José Junqueira Vilela.Talvez Maggi saia limpinho desta história, mas o que não pode mais deixar de acontecer é o esclarecimento de toda trama.

Em artigo publicado na edição impressa do jornal Circuito Mato Grosso, que circula a partir desta quinta-feira, em todo Estado, com 20 mil exemplares, eu trato da denúncia formulada na CPI das Hidrelétricas pelo ex-diretor do Intermat, Carlos Ramos, e que envolve o ex-governador Blairo Maggi. Confira o artigo, em versão estendida.

Blairo e o pecuarista Vilela. Negócios sujos?
Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: precisou o governo de Blairo Maggi acabar para que o seu governo começasse a ser investigado. Triste política esta de Mato Grosso, em que os poderosos de plantão calam a Assembléia, calam o Ministério Público, calam a imprensa – e governam um Estado que parece que fica todo acocorado diante de quem tem a chave do cofre. A CPI das Hidrelétricas só começou porque o empresário Pérsio Briante e este jornal Circuito Mato Grosso resolveram gritar que havia algo de errado na seletividade com que a Secretaria do Meio Ambiente, gerenciada pelo coronel Maia, que seria preposto de Maggi, andava liberando umas PCHs em detrimento de outra. Antes disso, conforme confissão pública de Percival Muniz, os deputados nunca tinham ouvido falar de PCH. Parece cômico se não fosse trágico. O depoimento de Carlos Ramos, antigo dirigente do Intermat, diante dos parlamentares da CPI, semana passada, em tom apoplético, mostrou, todavia, que a seletividade que preocupa Pérsio Briante pode vir desde o tempo em que Blairo Maggi e Luis Daldegan cuidavam dos negócios do Meio Ambiente em nosso Estado. Será? Vamos torcer para que Percival e os demais parlamentares se aprofundem nesta investigação, sem se desviar em troca de um troco qualquer.  Sim, temos o exemplo da CPI da Saúde, comandada pelo folclórico deputado Sérgio Ricardo, aquele para quem o Becarri abriu enorme espaço na Rede Band de Televisão e que também está na CPI das Hidrelétricas, que não teve sequer relatório final. O superprocessado deputado Geraldo Riva também comandou uma CPI da Sema e no que foi que resultou tudo aquilo? E, afinal de contas, quem deveria fiscalizar Blairo Maggi, durante aquela gestão, eram esses mesmos percivais, sérgioricardos, walterrabellos, geraldosrivas e quejandos que continuam sendo nossos dignos e ineficientes mandatados no Legislativo estadual. Já se disse que a Assembléia de Mato Grosso é um grande balcão de negócios e a oportunidade está aí, diante dos parlamentares da CPI, para que eles se livrem desta pecha. Não sei se isso lhes interessa, efetivamente. Talvez o sojicultor e senador Blairo Maggi saia limpinho desta história, como se lavado nas águas do rio Jordão pessoalmente pelo apóstolo São João Batista  – mas o que não pode mais deixar de acontecer é a investigação, o esclarecimento de toda a alegada trama. Não tenho assinatura contra Maggi, mas o homem público não pode permitir pontos escuros em sua biografia. Depois que Carlos Ramos fez sua denúncia na CPI, já apareceu o jornalista Marcos Antonio Moreira dizendo que a liberação daquela PCH Nhandu, lá na Gleba Cristalino, teria sido uma troca de favores entre Maggi e o pecuarista Antonio José Junqueira Vilela, durante o esforço para reeleição de Maggi como governador. Vilela, segundo o jornalista, teria investido uma bruta grana na campanha e, em troca, Blairo teria se utilizado da estrutura do Governo do Estado para saldar esta fatura. Como se vê, uma trama rocambolesca onde, mais uma vez, despontaria o patrimonialismo com que nossos caciques políticos costumam administrar os negócios do Estado. A se confirmar, o poder em Mato Grosso continuaria trabalhando para uma panelinha só – enquanto o povo que se exploda. Cabe à CPI botar tudo isto em pratos limpos. Vamos ver se estes deputados resolvem, desta vez, defender e preservar, efetivamente o interesse público.

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  1. - Responder

    ENOCK, BOA TARDE, ALÉM DA DOCUMENTAÇÃO QUE PROVA TODA FALSIFICAÇÃO DOS DOCUMENTOS UTILIZADOS PELAS PCH’S DO ROCHEDO E NHANDÚ ORIUNDAS DE 7 CERTIDÕES FALSIFICADAS DO INTERMAT NÃO DE DUAS CONFORME AFIRMADA POR CARLOS DO INTERMAT, TENHO TAMBÉM CÓPIAS DE PARTE DO PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS 233/2001 ONDE A PGE PEDE O CANCELAMENTO DAS 7 MATRÍCULAS ORIGINADAS PELAS CERTIDÕES DE INTEIRO TEOR FALSA DO INTERMAT (PGE TEM CONHECIMENTO DA FALSIFICAÇÃO). DA SUSPENSÃO DAS LICENÇAS PELA SEMA PARECER 122/2010 E DA INSISTENCIA DOS PROCURADORES DO ESTADO EM REVALIDAREM AS LICENÇAS, TENHO TODO ESSES DOCUMENTOS E MAIS OUTRAS FALSIFICAÇÕES PRATICADAS POR ANTÔNIO JOSÉ NO CARTÓRIO DO CRISTO REI EM VÁRZEA GRANDE.

    PRECISAVA TE MOSTRAR ESSES DOCUMENTOS.

    ATT. JOSÉ MARCELO

    65 8127.5200

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