A IRONIA SUTIL DE RODRIGO VARGAS – “Acredito que o VLT ficará pronto no prazo prometido pelo consórcio construtor à Secopa. Afinal, as empreiteiras assinaram um contrato dizendo que entregarão antes da Copa e, para qualquer pessoa sensata, isso deveria bastar”

RODRIGO VARGAS: "Aos infiéis, aqueles que insistem em levantar dúvidas, só me resta torcer para que se arrependam enquanto é tempo. (...) Em se tratando de uma obra que vai se estender por 22,5 quilômetros, margeando áreas de ocupação quase tricentenária, superando córregos, avenidas movimentadas e cruzando o rio Cuiabá, só uma meia dúzia de agourentos pode temer qualquer contratempo."

A obrigação de acreditar
RODRIGO VARGAS

Eu acredito que o VLT ficará pronto no prazo prometido pelo consórcio construtor à Secopa. Afinal, as empreiteiras assinaram um contrato dizendo que entregarão antes da Copa e, para qualquer pessoa sensata, isso deveria bastar.

Quem duvida deveria visitar as obras de duplicação na estrada para Chapada dos Guimarães e na Juliano Costa Marques e conferir in loco duas verdades absolutas: 1) empreiteiros sempre cumprem o que prometem; 2) o governo é implacável ao fiscalizar as obras que contrata.

Eu acredito que o VLT da cidade do Porto, deficitário desde o primeiro minuto de funcionamento, não deve servir como base para avaliar o modelo a ser implantado em Cuiabá. Para mim, a comitiva mato-grossense esteve em Portugal só para ver um bichão daqueles em movimento.

Acredito que obra sem projeto pode ter cronograma, orçamento e estudo de viabilidade econômica. E que, mesmo sendo infinitamente superior (custo, qualidade, comodidade) ao ônibus, o novo modal terá passagem no mesmo valor atual, sem subsídio posterior.

Acredito que a obra irá custar R$ 1,47 bilhão, conforme o prometido. É verdade que o deputado Riva havia estimado o preço em R$ 800 milhões e que o governador Silval dizia que não iria passar de R$ 1,2 bilhão. Mas, agora, meus caros, é certamente o preço final!

Quem já fez uma reforma simples em casa sabe que o orçamento e o cronograma estimados sempre batem certinho com o realizado. Nunca acontece nada imprevisto e raramente é preciso comprar materiais que não estavam na lista original.

Em se tratando de uma obra que vai se estender por 22,5 quilômetros, margeando áreas de ocupação quase tricentenária, superando córregos, avenidas movimentadas e cruzando o rio Cuiabá, só uma meia dúzia de agourentos pode temer qualquer contratempo.

Acredito que o valor previsto não é absurdo algum. É dinheiro carimbado, que jamais viria a Mato Grosso de outra forma (fazer bons projetos, e com eles pleitear dinheiro federal, dá um trabalho dos diabos e ainda puxa a fiscalização daqueles cricris do TCU).

Aos infiéis, aqueles que insistem em levantar dúvidas, só me resta torcer para que se arrependam enquanto é tempo. Se a maioria dos contribuintes topou assinar um cheque de R$ 1,47 bilhão sem ver o projeto, imagine como irá se portar quando finalmente forem apresentadas as plantas do novo modal?

Será quase um dever cívico acreditar que tudo, absolutamente tudo, dará certo. Seja como for. Custe o que custar. Ame-o ou deixe-o.

RODRIGO VARGAS é repórter do DIÁRIO DE CUIABÁ

rodrigovargas.cba@gmail.com

1 Comentário

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  1. - IP 187.58.31.94 - Responder

    Como diria nosso governador, só não acredita no VLT quem não tem compromisso em “prospectar” Mato Grosso.

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