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A GREVE CONTINUA – Docentes da UFMT dão aula pública sobre orçamento, direito de greve e mídia

“Vocês querem saber por que os servidores públicos federais são a pedra no sapato do Governo”, perguntou o professor Camilo. Ele explicou que de acordo com o orçamento de 2012 o país vai gastar 49,19% pagando juros e amortizando dívidas bancárias. Segundo ele, essa riqueza é criada por todos nós, principalmente através do pagamento de altos impostos. Dessa forma, o Brasil tem crescido há anos entre 2 a 3 % apenas. Para sair dessa condição, o Governo planeja arrochar o salário do funcionalismo. E tentou fazer isso de forma clara e oficial propondo o congelamento de salários por 10 anos.

Servidores públicos federais em greve fizeram um ato público unificado na manhã dessa terça-feira, 28 de agosto, na Praça Ulisses Guimarães, em Cuiabá, para mostrar à sociedade que não é à toa essa onda grevista, a maior da última década. São cerca de 40 categorias de braços cruzados.  O motivo das paralisações é um só: o Governo Federal desvaloriza o servidor público há mais de 10 anos, não dialoga e lança mão de práticas ditatoriais para inibir a reivindicação de direitos e o direito de se organizar. O evento foi organizado por 18 entidades.

Os docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) deram uma aula pública sobre três temas. O professor Camilo Recompensa tratou da questão do orçamento público e a professora Sirlei Silveira falou sobre o direito de greve – ambos são do Comando Local de Greve (CLG) dos docentes da UFMT. O professor Roberto Boaventura fez uma análise relacionando greve e mídia.

“Vocês querem saber por que os servidores públicos federais são a pedra no sapato do Governo”, perguntou o professor Camilo. Ele explicou que de acordo com o orçamento de 2012 o país vai gastar 49,19% pagando juros e amortizando dívidas bancárias. Segundo ele, essa riqueza é criada por todos nós, principalmente através do pagamento de altos impostos. Dessa forma, o Brasil tem crescido há anos entre 2 a 3 % apenas. Para sair dessa condição, o Governo planeja arrochar o salário do funcionalismo. E tentou fazer isso de forma clara e oficial propondo o congelamento de salários por 10 anos. As categorias reagiram e isso não foi possível. Desde o Plano Real, o Brasil já gastou R$ 6,8 trilhões pagando dívidas públicas. “Já pensaram quantas coisas poderíamos fazer no Brasil com esse dinheiro?” Gráfico mostra que nesse tempo todo quem mais faturou no país foram os bancos e os empresários. “O Governo tem um dilema”, disse o eco nomista. A pergunta é: os funcionários públicos é que vão ter que pagar essa conta?

A professora Sirlei destacou que as greves começaram com os trabalhadores na França e na Inglaterra que se indignaram nas fábricas daquele tempo viram a necessidade de lutar contra a exploração da mão de obra e as péssimas condições de trabalho. “De lá para cá, à medida que o capitalismo avança e se moderniza em relação ao próprio uso da tecnologia que não é colocado a serviço da libertação do trabalhador, mas da potencialização do lucro dos capitalistas, os trabalhadores vão tomando consciência de que é necessário se organizar coletivamente em defesa dos seus direitos, por melhores condições de trabalho, incluindo salários, e especialmente em defesa de outro tipo de sociedade, não mais calcada no lucro e na exploração do trabalho. A greve tem origem nesse fundamento. Uma greve mais profunda implica pensarmos em que tipo de sociedade vivemos no dia a dia e na superação dessa sociedade que nos oprime”. Conforme disse a professora Sirlei, “a greve é uma momento de restauração das forças dos trabalhadores e é por isso que os patrões e as autoridades atacam esse direito, porque eles têm medo dessa capacidade de organização dos trabalhadores e da sociedade em busca de um horizonte novo”.

Já o professor Roberto Boaventura destacou que em momento de greve é muito comum a preocupação com o que sai na mídia. “Não há grandes estudos sobre essa questão – mídia e greve. Faltam estudos e reflexões sobre isso”, observou o professor. “O que é a mídia, como age e para quem?” – reflete o professor. “A mídia é um complexo de meios convencionais e meios não tão convencionais. A convencional a gente identifica rapidamente – TV, jornal, rádio. É comercial. E está concentrada nas mãos de não mais que 10 grupos poderosos. Essa mídia tem fundamento em um mito, o mito da neutralidade, o que não existe. E aí vêm as coberturas. Sistematicamente a mídia vai responder, antes de tudo, à lógica do sistema dessa sociedade desse sistema capitalista, que vai determinar todas as ações governamentais. Obviamente de subtração de direito. E a mídia vai responder a essa demanda sistêmica. No geral, via de regra, nenhum mov imento grevista pode criar expectativa de que será contemplado positivamente por cobertura jornalística, em geral nossas greves são trucidadas pelo movimento midiático”.

Para encerrar, a professora Marluce Souza, que também é do Comando Local de Greve (CLG), falou sobre previdência. “Ao revermos nossa força de trabalho, estaremos revendo também nossa saúde e nossa energia. Precisamos ter tempo para outras atividades menos destruidoras da nossa capacidade de ser. Contudo estamos dentro do sistema capitalista como pessoas produtivas e somos percebidos apenas como trabalhadores, produtores de mercadoria, e perdemos nossa identidade. Isso acontece durante 25 a 30 anos até chegarmos a aposentadoria e chegarmos a uma situação social ainda mais degradante. Nós estamos com as nossas previdência falidas Enquanto produtivos, em 25 a 30 anos de trabalho, chegamos a uma situação social ainda mais degradante”.

Por Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa da ADUFMAT-S.Sind.

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