A eleição na UFMT

Fonte: A Gazeta

 

A eleição na UFMT

Por Alfredo Meneses

Agora em abril haverá eleição para reitor na UFMT. As propostas dos candidatos falam em democracia interna, inclusão, participação social, inserção da universidade no contexto local, autonomia, ações institucionais, transparência, infra-estrutura, intercâmbio com outras instituições, descentralização, associação de ensino, pesquisa e extensão, assistência aos alunos, mais cultura e esporte.

Não se vê nas propostas comentários mais diretos sobre o Reuni, um plano do MEC, já em andamento, aprovado em abril de 2007, para reestruturação das universidades federais. Talvez porque tocar nisso perca votos entre alunos e professores, não foi um assunto muito bem digerido nas universidades.

Não há como um reitor deixar esse plano de lado. Ele é a bússola que a UFMT tem que seguir e se enquadrar. É quase nulo o espaço para mexidas diferentes. E para ser cumprido, ele amarra tudo na questão financeira e na contratação de professores e funcionários. Se cumprir metas recebe tanto, se não fez a tarefa não recebe. Quem chegar à reitoria terá que cumprir as etapas que se estabeleceu. Se não fizer terá sua administração atropelada. O Reuni deveria ser a base da discussão.

Consegui alguns dados do Reuni. Veja o que vem aí para a UFMT. Ele é para ser executado entre 2008 e 2017. Na graduação, a UFMT tem hoje 17 mil estudantes. Deve chegar até 2017 a 36 mil estudantes, com aumentos definidos para cada ano. Hoje se tem 16 cursos de mestrado, deve ir para 29. Doutorado tem somente um, deve pular para dez. São 330 alunos no mestrado hoje, tem que chegar a 730 em 2017. O doutorado deve sair de seis alunos para 190. O plano prevê a contratação de 301 professores até aquela data.

Quer ver como a coisa é toda amarrada em Brasília? Até 2005 havia 52 cursos na UFMT, em 2008 pulou para 74. Houve um plano anterior ao Reuni, chamado Programa de Extensão do Ensino Superior que deu chances de serem criados mais cursos na UFMT. O Programa de Extensão e o Reuni juntos prevêem a contratação de 530 professores (acréscimo de 50% ao numero atual) até 2017. Cerca de 370 técnicos serão também contratados.

Até 2011 serão aplicados 96 milhões de reais em obras na universidade. Os recursos saem da Finep, emendas parlamentares, governos de MT e o federal. Já é uma boa quantia. A presença mais constante de empreiteiros e políticos na UFMT nos últimos anos tem isso como base. Aqueles 96 milhões são para reformas e construções de prédios e para equipamentos permanentes. Caminha junto com o projeto do Reuni: com mais estudantes se terá mais professores, técnicos, prédios e equipamentos.

O plano futuro já está traçado. Frente à situação talvez fosse interessante centrar fogo em algumas alternativas. Um, seguir o que já definiu o Reuni, fazendo ajustes necessários e úteis à UFMT ao longo dos anos. Dois, uma ligação mais estreita com a classe política, daqui e de fora, para conseguir emendas, convênios e recursos de outros lugares.

O Paulo Speller fez isso. Por ter ligação partidária e por ter sido presidente de um colegiado de reitores teve, em tese, um pouco mais de facilidades em Brasília. Não parece ser o caso dos atuais candidatos à reitoria. Daí que deverão cumprir com mais rigor as normas do Reuni para a UFMT receber a contrapartida dos recursos federais.

Três, aumentar ainda mais as ações culturais para dentro e para fora. Quatro, trabalhar para que resultados das pesquisas internas, incluindo as teses defendidas, sejam mostrados para a sociedade. Ninguém fica sabendo do que se trata e muitas delas talvez fossem úteis para segmentos diferentes da sociedade.

Um exemplo mais claro. Havia 764 projetos de pesquisas de professores em 2005, pulou para 879 em 2006 e para 909 em 2007. Cadê o resultado prático da maior parte disso?

E-mail: pox@terra.com.br / www.alfredomenezes.com

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