MIRANDA MUNIZ: A arrogância de setores da oposição e da mídia hegemônica que, no início de julho, prognosticavam que a Presidenta Dilma não resistiria até o final de agosto, frustrou-se. É bem verdade que uma saída golpista não está totalmente descartada: apostam nos julgamento do TCU (“pedaladas fiscais”) e do TSE (contas da campanha Dilma/Temer), sendo que nesta Corte contam com o aliado incondicional Gilmar Mendes, que age mais com advogado do PSDB do que como magistrado. Também têm esperanças que a Operação Lava Jato possa trazer algum elemento que vincule a presidenta Dilma

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A(gosto) da Dilma!
· Miranda Muniz

No dia 31 de agosto, participei do Seminário “Agricultura e Desenvolvimento do Centro Oeste”, na Câmara dos Deputados, promovido da Fundação Maurício Grabois (FMG) e pelo PCdoB, onde reuniram dirigentes partidários, militantes dos movimentos sociais e intelectuais estudiosos do tema dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal.

Na abertura, o presidente da Fundação, Adalberto Monteiro, fez uma sucinta análise da atual crise econômica e política.

Destacou que a crise econômica, ao contrário do que dizem a Oposição e a mídia hegemônica, tem como seu principal componente a crise econômica mundial, que já perdura por 7 anos e que não vislumbra uma recuperação imediata. Quanto aos componentes internos, destacou que os governos populares de Lula e Dilma deixaram de realizar as grandes reformas (educacional, agrária, urbana, tributária, democratização da mídia, etc.) e também criticou o caminho perseguido pela equipe econômica baseado na alta dos juros que “anula o esforço fiscal, freia o consumo e aumenta o endividamento do Estado.”

Quanto à crise política, identificou que seu motor principal é a posição de setores da oposição que não se conformaram com a derrota de 2014 e descambaram para o golpismo (impeachment, novas eleições, renúncia, etc) ou para o chamado “sangramento”, emparedando a Presidenta com a tática do “quanto pior melhor” (…), “de forma irresponsável com a economia nacional”.

Entretanto, a arrogância de setores da oposição e da mídia hegemônica que no início de julho prognosticavam que a Presidenta não resistiria até o final de agosto, frustrou-se.

Mesmo considerando que a atual correlação de forças, na sociedade e no Congresso, é favorável aos conservadores, Adalberto Monteiro ressaltou que a sanha golpista só foi contida porque houve resistência. Os setores democráticos e populares foram às ruas, a exemplo das mulheres da Marcha das Margaridas e das manifestações no dia 20 de agosto, empunhando a bandeira da democracia e contra o golpe. O #NãoVaiTerGolpe ganhou as redes e as ruas!

Outro fator decisivo foi que a Presidenta foi à luta, saiu do gabinete e dialogou com amplos setores (movimentos sociais, governadores, setores empresariais, etc.), inclusive reconhecendo insuficiências de seu governo.

Por outro lado, representantes do grande capital (tais como a FIESP, FIRJAN, grandes bancos nacionais) vieram a público denunciando a “turbinamento” da crise pelos setores golpista da oposição e exigindo respeito às regras democráticas. Eles sabem muito bem que esse turbinamento artificial significa perda de lucros!

Portanto, isso não se deu por uma “conversão democrática” do Grande Capital, como bem sintetizou trecho do editorial do Portal Vermelho “A prudência política aconselhou a burguesia contra aventuras políticas de resultados imprevisíveis e talvez incontroláveis. Seus dirigentes parecem mostrar que não têm garantias sobre o desdobramento da crise, que pode ser desfavorável a seus interesses. Uma saída aventureira da crise política pode criar uma situação instável, de insegurança jurídica para os interesses de fatia importante do grande capital.”

É bem verdade que uma saída golpista não está totalmente descartada: apostam nos julgamento do TCU (“pedaladas fiscais”) e do TSE (contas da campanha Dilma/Temer), sendo que nesta Corte contam com o aliado incondicional Gilmar Mendes, que age mais com advogado do PSDB do que como magistrado. Também têm esperanças que a Operação Laja possa trazer algum elemento que vincule a presidenta Dilma.

Por fim, o presidente do FMG, destacou que nesse quadro de instabilidade o lugar e papel do PCdoB “é na linha de frente contra o golpe e a favor da democracia”, pugnando pela articulação de uma frente ampla em defesa do desenvolvimento, do emprego e dos direitos trabalhistas e que atue no sentido de forçar o Governo a deixar para trás a pauta do contracionismo fiscal.

Assim, podemos concluir que na atual fase da batalha política esse que passou, apesar dos pesares, ainda foi um mês (a)gosto da Dilma!

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Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, dirigente da CTB/MT e do PCdoB-M

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