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EDUARDO GOMES: Ao excluir Arthur Nogueira da Rede do debate, TV Centro América presta desserviço a Mato Grosso

Arthur governador e Sebastião Carlos, senador, candidatos do Rede em MT

LAMENTÁVEL – Centro América veta Arthur no debate
POR EDUARDO GOMES

Mato Grosso encerra nesta terça-feira, 2 de outubro, a temporada de debates entre candidatos. O último enfrentamento entre postulantes ao governo acontece à noite, na TV Centro América, afiliada da Globo e detentora da maior audiência estadual. Aquilo que deveria ser um ato para o fortalecimento democrático tristemente se transforma num atentado contra a democracia, porque a emissora estranhamente não permite a participação do candidato Arthur Nogueira (foto), que concorre ao Paiaguás pela legenda do Rede Sustentabilidade.

A exclusão de Arthur não se prende ao emaranhado da legislação eleitoral, que faculta ao veículo (rádio ou TV) aceitar ou não participação de candidato cujo partido não tenha determinado número de cadeiras de congressistas eleitos por sua sigla. Simplesmente a Centro América disse “não”.

Democracia se conquista. Democracia se constrói no dia a dia para evitar seu solapamento por forças retrógradas. Democracia se chancela com voto, mas para se chegar à escolha é preciso que se conceda espaço na mídia aos candidatos.

Televisão não é propriedade privada. Trata-se de concessão federal. Propriedade são os bens da emissora, mas nunca o direito de exploração do canal que lhe confere bandeira.

Ao excluir Arthur a Centro América presta um desserviço a Mato Grosso, mas lamentavelmente contra tal decisão nada pode ser feito com a vigência da legislação que estabelece regras às concessões televisivas. Fica, porém, o desencanto popular com a emissora. Esse desencanto se reforça na medida em que se sabe sobre o faturamento da afiliada da Globo em Mato Grosso. Sua carteira comercial maior é alicerçada no governo estadual e secundada com grossas fatias financeiras pela Assembleia Legislativa, prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, Tribunal de Contas do Estado, prefeituras menores, e, claro, o governo federal incluindo suas ‘generosas’ empresas.

O mercado publicitário mato-grossense não corresponde nem mesmo com a Centro América. Por razões politiqueiras e não de Estado, governantes investem pesado nessa emissora patrocinando Corrida de Reis, Campeonato Mato-grossense e a pequena programação regional. O dinheiro canalizado para o cofre dessa TV sai do bolso do contribuinte, do mesmo contribuinte que é eleitor e que acaba de ser impedido de ver um dos candidatos ao governo expor suas ideias, confrontar adversários.

O Brasil precisa de uma grande repaginação que inclua as concessões televisivas e do rádio. Não se trata de sugerir nem de impor linha editorial, pois a liberdade de Imprensa é sagrada. O que se espera é que surja nova regra, pela qual nenhum órgão público possa anunciar e que ao concedido se imponha obrigação de divulgar campanhas de interesse social, como combate ao mosquito da dengue, vacinação humana e animal, doação de sangue, dicas de segurança, material cultural de cunho regional etc.

A luz do debate final na Centro América é opaca e a emissora se dá ao luxo de anunciar o horário do evento para “depois da novela Segundo Sol”. A exclusão de um dos candidatos é uma página muito triste das eleições em 2018 na Terra de Rondon. Ao povo mato-grossense o alerta sobre os altos gastos do governo estadual com publicidade e a falta de retorno democrático do mesmo. Ao candidato Arthur Nogueira, nossa solidariedade democrática.

Eduardo Gomes, jornalista, é  editor de boamidia
boamidia2017@gmail.com

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