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Ato de resistência de Rosa Parks completou 60 anos. Em primeiro de dezembro de 1955 a costureira e militante negra Rosa Parks subiu num ônibus em Montgomery no Alabama. Ela sentou-se, como sempre, num lugar reservado aos negros. Numa certa altura da viagem entrou um senhor branco e não encontrou bancos vazios. O motorista, então, exigiu que os negros desocupassem uma das fileiras. Essa era a lei: os brancos não podiam ficar de pé e nem sentar-se ao lado de um negro. Três homens cumpriram as ordens. Mas, Rosa Parks disse não

Rosa Parks e Martin Luther King

Rosa Parks e Martin Luther King

Ato de resistência de Rosa Parks completou 60 anos

Em primeiro de dezembro de 1955 a costureira e militante negra Rosa Parks subiu num ônibus em Montgomery no Alabama. Ela sentou-se, como sempre, num lugar reservado aos negros. Numa certa altura da viagem entrou um senhor branco e não encontrou bancos vazios. O motorista, então, exigiu que os negros desocupassem uma das fileiras. Essa era a lei: os brancos não podiam ficar de pé e nem sentar-se ao lado de um negro. Três homens cumpriram as ordens. Mas, a mulher disse não.

Por Augusto Buonicore*

 

 

Rosa ParksRosa Parks

O espanto foi geral. O motorista insistiu, mas ela resistiu e foi presa. A partir daquele momento as coisas não seriam mais as mesmas. Teria início uma tormenta que abalaria as leis segregacionistas da supremacia branca estadunidense.

Algumas horas mais tarde um panfleto assinado pelo “Women’s Political Council” começou a circular na comunidade negra. Ele dizia: “Outra mulher foi presa e jogada na cadeia porque se recusou a levantar-se de seu lugar no ônibus para que um branco se sentasse (…). Isto não deve continuar. Os negros também têm direitos e se não andarem de ônibus, eles não poderão funcionar. (…) Se nada fizermos para parar com essas prisões, elas continuarão. Da próxima vez poderá ser você, ou sua filha, ou sua mãe. O caso dessa mulher será julgado na segunda-feira. Nós estamos, desta forma, pedindo a cada negro para não entrar nos ônibus na segunda em protesto pela prisão e pelo julgamento. Não andem nos ônibus para trabalhar, para ir à cidade, para ir à escola ou para qualquer coisa na segunda-feira. Vocês podem se dar ao luxo de não ir à escola por um dia se não tiverem outros meios de ir que não por ônibus. Você também pode deixar de ir à cidade por um dia. Se você trabalha, pegue um táxi ou caminhe. Mas por favor, crianças e adultos, não andem de ônibus na segunda. Não andem em nenhum ônibus na segunda.”

A senha para o desencadeamento da luta já estava dada. Logo em seguida, militantes da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) – entidade da qual Rosa era secretária – se reuniram numa igreja local.

Ali prepararam o boicote aos transportes públicos. Para levar adiante o movimento criaram o “Montgomery Improvement Association” (MIA), que passou a ser dirigido por um pastor até então desconhecido chamado Martin Luther King.

O protesto deveria durar apenas um dia, mas o sucesso foi tão grande que resolveram estendê-lo até que se conseguisse a vitória completa sobre a empresa de ônibus e as autoridades locais. Os taxistas negros baixaram as tarifas, igualando-as às passagens de ônibus.

A prefeitura multou-os por violarem a tabela. Estabeleceu-se um sistema de caronas solidárias, envolvendo centenas de carros particulares. Muitos negros passaram a fazer longos trechos a pé. As ruas e estradas encheram-se de andarilhos.

As empresas acumulavam grandes prejuízos financeiros, pois seus ônibus agora andavam praticamente vazios. Da noite para o dia perderam cerca de 40 mil usuários. Poucos negros ousaram desrespeitar o boicote.

Como sempre, os racistas utilizaram-se da violência. Atacaram com bombas a casa do pastor King e as de outras lideranças negras. Nem mesmo as Igrejas foram poupadas. Mais de 100 ativistas acabaram sendo presos e processados. Tudo isso fazia aumentar a solidariedade das comunidades negras de outras partes do país.

Organizações de esquerda, especialmente o Partido Comunista, se envolveram naquela luta pela igualdade.

Alguns meses depois, em 4 de junho de 1956, uma corte federal decidiu que as leis segregacionistas do Alabama eram inconstitucionais. As autoridades racistas recorreram e, em 13 de novembro, a Suprema Corte dos Estados Unidos pronunciou-se contra a segregação.

O boicote só encerrou-se em 20 de dezembro, quando os negros finalmente puderam escolher seus lugares nos transportes públicos. Contudo, a luta contra a segregação e o racismo estava apenas começando. As batalhas mais duras ainda estariam por vir.

*Historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros e Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas, ambos publicados pela Editora Anita Garibaldi

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Rosa Parks & Luther King – A mãe e o pai dos direitos Civis

Po Eduardo Galeano

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Sobre Direitos e Liberdades Civis

Rosa-parks – A mãe e o pai dos direitos civis

Num ônibus que circulava pelas ruas de Montgomery, Alabama, uma passageira negra, Rosa Parks, negou-se a ceder seu assento a um passageiro branco.

O motorista chamou a polícia.

Chegaram os guardas, disseram: lei é lei, e prenderam Rosa por perturbar a ordem pública.

Então um pastor desconhecido, Martin Luther King, propôs, em sua igreja, um boicote contra os ônibus. E propôs assim:

A Covardia pergunta:
– É seguro?

A Conveniência pergunta:
– É oportuno?

E a Vaidade pergunta:
– É popular?

Mas a Consciência pergunta:
– É justo?

Ele também foi preso. O boicote durou mais de um ano e desencadeou uma maré irrefreável, de costa a costa, contra a discriminação racial.

Em 1968, na cidade sulina de Memphis, um tiro arrebentou o rosto do pastor King, quando ele estava denunciando que a máquina militar comia negros no Vietnã.

De acordo com o FBI, ele era um sujeito perigoso.

Como Rosa. E como muitos outros pulmões do vento.

Eduardo Galeano (1940-2015), jornalista, escritor e cronista uruguaio.

 

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