TCE - OUTUBRO

A reocupação e a revitalização do centro histórico é o mote que está sendo trabalhado por Júlio Tavares, proprietário do Gran Bazar Pac, localizado no centro histórico de Cuiabá, a dez metros da Praça da Mandioca. O lugar vem se consagrando como deliciosa opção nas noites de nossa capital

Júlio Tavares, no Gran Bazar Pac

Júlio Tavares, no Gran Bazar Pac

Moda, arte, comida e diversão

Gran Bazar Pac se destaca no roteiro cultural e gastronômico do Centro Histórico de Cuiabá

DC ILUSTRADO – DIÁRIO DE CUIABÁ

 

A reocupação e a revitalização do centro histórico é o mote que está sendo trabalhado por Júlio Tavares, proprietário do Gran Bazar Pac, localizado no centro histórico de Cuiabá, a dez metros da Praça da Mandioca. O lugar vem se consagrando como deliciosa opção nas noites de nossa capital.

O espaço é inovador e propõe um encontro despojado entre moda, arte, gastronomia e música para um público cada vez mais numeroso. Em vista das ações desenvolvidas pelo seu criador para firmar o espaço, como rodas de samba aos domingos, as pessoas acabaram classificando o Gran Bazar Pac como um bar. Só que ele é muito mais que isso.

“A ideia surgiu da necessidade de empreender”, conta Júlio Tavares, proprietário do local. Ele é sociólogo e para se formar em sociologia investiu naquilo que começou a fazer desde os 18 anos de idade: consultoria de moda e imagem e vendas no varejo.

“O meu inicio profissional está relacionado com a moda”, lembra. Natural de Rondonópolis( a 215 km de Cuiabá), Júlio iniciou sua carreira como vendedor em uma loja multimarcas, onde adquiriu experiência. Em 1998, veio para Cuiabá e encontrou nas vendas o seu meio de subsistência para subsidiar seus estudos, seu sustento e sua moradia.

Em meio a esse processo, Júlio se especializou em consultoria de moda e imagem, viajou pra São Paulo e começou a trabalhar nas áreas de publicidade, vídeo e cinema, atuando como figurinista e diretor de arte. Foi quando surgiu a vontade de desenvolver um trabalho de criação da moda relacionado à customização e reaproveitamento. “Eu sempre estive em contato com vestuário e comecei a adquirir peças com intuito de customizá-las. Foi onde encontrei o apreço pela customização”, explica.

Chegou um tempo que a quantidade de peças adquiridas se tornou um fardo por conta do volume de roupas. “O projeto de customização não se realizou rapidamente, então comecei a comercializar as peças”.

Em 2012, Júlio começou a desenvolver bazares na sua casa, na avenida Filinto Muller, nas quintas e sextas-feiras para gerar dinheiro, desfazer-se das roupas e resolver seus problemas de finança e de espaço. Em março de 2013 passou a ser chamado para participar de feiras como Cadeiras na Calçada, movimento de resgate histórico, artístico, cultural e lazer que acontece na rua 24 de Outubro.

“A partir de então, não parei”, conta. O conceito de Gran Bazar como venda colaborativa começou a ser formado, as ideias vieram de sua experiência em São Paulo, onde conheceu várias lojas com o mesmo conceito e que mesclavam moda e gastronomia.

De onde veio o Pac? Pac significa “procurei, achei, comprei” que, na época, se tornou um trocadilho por conta das obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, criado no segundo mandato do governo do presidente Lula, em 2007. “Só que o Gran Bazar foi um Pac que deu certo”, ironiza.

A alternativa foi fazer do Gran Bazar um empreendimento itinerante. Júlio passou pela Casa Ferraz, Um Dia Só, que hoje é a Feirinha da 24 e pelo Espaço Magnólia. O público sempre fiel seguia esse seu empreendimento itinerante.

Necessidades foram surgindo para manter o funcionamento do Gran Bazar, inclusive a necessidade de um espaço mais amplo. “Eu me agarrei nessa oportunidade de empreender, algo que já tinha caído no gosto das pessoas mas, no momento, eu estava órfão de casa”.

“Inicialmente, não pensara em colocar o Gran Bazar Pac na Praça da Mandioca. Não foi algo pensado para a revitalização do Centro Histórico, foi uma necessidade. Eu vim tanto pela adequação financeira e depois por achar que poderia ser um lugar legal pelo movimento que já havia na Mandioca”, explica Júlio.

O endereço atual foi indicação de uma amiga e precisou ser reformado para adotar um aspecto visual mais marcante. Inicialmente, funcionava apenas o bazar, mas depois do primeiro mês, Júlio começou a sentir certa dificuldade de manter um bazar numa vila boêmia, aonde as pessoas poderiam ir pra comer e beber.

Foi quando surgiu o mote gastronômico do espaço, com um cardápio de caldos e tira-gostos diferenciado da região, algo que já estava estabelecido e só precisava ser colocado em prática.

“As pessoas quando entram aqui perguntam se é um bar, um bazar ou um brechó”, relata, risonho. A música veio como um complemento. Há quatro meses começou a trabalhar com shows de artistas locais que variam de samba, black music, soul, MPB, e rock. Cada noite um estilo diferente. O som ampliou a atratividade do lugar e passou a fortalecer sua lenda.

“A questão musical veio pra complementar a ação que eu já fazia”. A casa atende tanto ao pessoal mais jovem quanto os mais velhos. “Meu espaço de tornou um espaço de encontro, bem no centro de Cuiabá”, comemora.

O Gran Bazar também dá oportunidade para artistas plásticos iniciantes e consagrados exporem seus trabalhos que fazem parte da decoração, mas que podem ser comercializados por valores de variam de cinco a 200 reais. Obras de Caio André, Zé Ilto, Gilmar Xavier, João Sebastião, Katia Mansur, entre outros, podem ser encontradas no local.

Neste mês de abril, mês do aniversário de Cuiabá, o lugar serviu de palco para uma série de agitos culturais como o ‘Rasqueia Que É Bom’, que deve passar a ocupar todas as sexta-feiras, com noites de rasqueado; “Arte e Cultura na Mandioca’, uma parceria entre o Gran Bazar Pac, o Bendito Mercado e a Casa Silva Freire, evento incluído na programação do aniversário de Cuiabá; “Tudo Junto e Misturado”, que teve a apresentação de Cantarella e Os Caras, com a cantora Viviane Cantarella se apresentando na companhia de ótimos instrumentistas.

Outra proposta em desenvolvimento é a parceria com a Academia Mato-Grossense de Letras. No último dia 20 de março, o samba do Gran Bazar foi à Casa Barão de Melgaço, em uma noitada boêmia e o sucesso foi marcante.

“O Eduardo Mahon resgatou o status da Academia, essa ação foi pra aproximar a Academia da comunidade e a proposta está criando um local mais acessível”, elogia Júlio Tavares que garante que essa parceria lítero-musical deve se desdobrar em novas noitadas.

No próximo semestre Júlio Tavares pretende inovar mais uma vez, criando mais uma alternativa para trazer a população para o Centro Histórico da capital.

“O Centro Histórico é o que tem de mais belo e mais rico e que contempla toda a nossa história”, declara. A ideia é criar uma feira orgânica para instituir um café da manhã aos sábados. Os produtos serão frutos de uma horta que Júlio está idealizando.

Para o mês de julho está sendo preparado um evento gastronômico que englobará as cozinhas tailandesa, francesa e mediterrânea.

“Nós não somos mais reféns da Praça Popular”, dispara o criador do Gran Bazar Pac que se tornou uma nova opção e um novo percurso para a população cuiabana se aproximar da cultura, através da intensa programação que vem marcando o local.

O Gran Bazar Pac funciona de terça-feira a domingo das 18h30 às 00h30.

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gran-bazar cuiabá de julio tavares
Pequeno Perfil Cultural de Júlio Tavares

Estilo musical: Rock e samba

Livro: “O ensaio da cegueira”, de José Saramago

Autor: Érico Veríssimo

Cantor: Marcelo D2

Cantor regional: Henrique Malouf

Artista regional: Adir Sodré, João Sebastião e Carlos Lopes e Gilmar Xavier

Categorias:Cidadania

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