PREFEITURA SANEAMENTO

AMOR DE MACHO: Ivana Bentes, no saite da Midia Ninja, mostra porque o filme “Praia do Futuro”, estrelado por Wagner Moura, anda escandalizando os homofóbicos

Amor de Macho. Veja porque o filme Praia do Futuro com Wagner Moura escandaliza homofóbicos

POR Ivana Bentes, NINJA

Amor de Macho. Ou o Afeto é a nova pornografia. A cena mais escandalosa do filme de Karin Ainouz, Praia do Futuro, é essa aqui, dois caras (Wagner Moura e Clemens Schick) tirando sarro da própria relação afetiva, dublando uma daquelas canções francesas que partem os corações e arrancam lágrimas. Gozar com e dos clichês parece ser a única saída honrosa para as relações.

Afetividade é o único escândalo hoje. No banheiro do Estação Botafogo duas moças reclamavam (decepcionadas) das cenas de sexo gay que vieram ver! (40 pessoas sairam de uma sessão em Niterói afrontadas por ver sexo entre homens e o cinema colocou uma advertência, o que é bem sintomático e ao mesmo tempo ridículo!)

Filme plasticamente lindo, de contrastes entre o Brasil solar da praia de Fortaleza e a Berlim gélida e cinza. E as inversões: o personagem que foge do pais onde “todos são felizes” para entrar em uma paisagem de neblina onde tudo parece que desencantou. Só que é o contrário. A praia do futuro (da familia pobre) abandonada dando lugar a uma praia-paisagem misteriosa e nublada em que os personagens afirmam o presente.

Karin sempre tem muitos achados visuais e uma fisicalidade dos personagens, corpos, sensações, afetos violentos, porradas que viram abraços e beijos entre os amantes e entre os irmãos. Socos, carinho e violência que são um só afeto. Todo um amor boxeador que finge e é mesmo uma porradaria violentamente melancólica, de quem não sabe muito mais o que fazer com a afetividade. O ator Jesuíta Barbosa é a próprio boxer, porrando o irmão que ama e que o deixou, dando socos afagos em uma garota que quer “pegar” na saída de uma boate em Berlim, numa atuação impressionante.

Um tempo contemplativo, os espaços soberanos e no mais, um buraco aberto e vazio, na praia ou na neblina, que o filme não alivia. Bom ficar bem na beira desses abismos (uma onda que pode te levar, um mergulho fatal, uma barco oscilante, uma moto em alta velocidade, um quase se jogar da ponte) curtir o alheamento e vazio dos personagens e toda a melancolia do filme, principalmente sabendo que vamos acordar no Rio de Janeiro. Aqui a cena de afetividade explicita que deveria escandalizar mais, pois o afeto é a nova pornografia https://www.youtube.​com/watch?v=p_wkj58l​tty

P.S. Minha Advertência seria outra. Tirando essa cena acima, o filme é gelado, não cura, não consola e nem traz felicidade, se alguém vai ao cinema esperando alguma dessas três coisas.

Texto: Ivana Bentes

Fotos: Divulgação

https://www.facebook​.com/praiadofuturo?f​ref=ts

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

12 + 10 =