PREFEITURA SANEAMENTO

ÔNIBUS CARO: Povo apareceu, Mauro se escondeu

Manifestação pela revogação do aumento na tarifa agita a Prefeitura e Câmara de Vereadores

FÁBIO RAMIREZ

Especial para a PAGINA DO E

Mais uma manifestação no centro de Cuiabá pela revogação do aumento na tarifa do transporte público na capital aconteceu nesta terça, 5 de fevereiro. Desta vez os manifestantes se dividiram em duas partes. Uma se concentrou em frente à Prefeitura e a outra na Câmara de Vereadores.

Na Câmara de Vereadores os manifestantes tinham agendado duas falas na tribuna, no entanto, somente uma delas ocorreu e a outra intervenção foi impedida pela “casa do povo”.  João Dourado, presidente da CUT-MT, interviu no plenário explicando que o aumento não se justifica e exclui milhões do direito de ir e vir no transporte público.

Em frente à Prefeitura, diversas lideranças do movimento sindical, popular e estudantil protestavam contra o prefeito Mauro Mendes (PSB). A prefeitura havia se comprometido de dar uma resposta neste dia 5 sobre a possibilidade da redução na tarifa. Mas ninguém da Prefeitura apareceu para dar satisfação, mostrando o caráter desse novo prefeito, que sempre que solicitado atende aos empresários e, por outro lado, se isola do diálogo com o povo e suas organizações de luta.

Entenda o caso

Os empresários do transporte em acordo com a Prefeitura de Cuiabá aumentaram o valor da tarifa do transporte público no dia 28 de dezembro de 2012. O reajuste foi de R$ 2,70 para R$ 2,95 sem aviso prévio e sem consulta à população.

A justificativa dos empresários foi a apresentação da planilha de custos, alegando que os gastos para a manutenção dos serviços aumentaram. Porém, a planilha é mantida em segredo e até hoje não foi disponibilizada para consulta pública, infringindo a lei de publicidade nas ações públicas.   Os movimentos sociais (sindicais, estudantis e populares) entendem que a planilha é super-faturada. A CPI do Transporte, organizada pela Câmara de Vereadores em 2005, confirmou o super-faturamento nas planilhas. Mas a principal alegação é que a tarifa é muito cara para a realidade geral dos trabalhadores. Estudo realizados pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (IPEA) constatou que os aumentos na tarifa excluem 30% da população do direito de utilizar os serviços. Por isso a reivindicação central do movimento, em Cuiabá, neste início de ano, é a revogação do aumento, medida que vem sendo negada pelo prefeito Mauro Mendes.

Os protestos pedem também a ampliação do Passe Livre aos estudantes, se estendendo aos fins de semana e no contra-turno de estudo.

A luta continua

Novas mobilizações devem ocorrer nas esferas judiciais e na forma de protestos de rua. Uma reunião das entidades está marcada para o dia 13 de fevereiro, quarta-feira, na sede do DCE da UFMT. Na ocasião serão definidas as próximas ações da luta.

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